Já tinha ouvido nas notícias televisivas que as urgências dos hospitais tinham deixado de ser como o metro em hora de ponta. Não, pensei, contudo, encontrar a sala completamente vazia, não obstante o frio e as 4 da manhã serem obviamente desencorajadores. Lembrava à minha filha o quanto ela tinha frequentado as urgências quando viemos morar para esta cidade e como a cada Inverno a única maneira de parar a tosse irritativa, interrupta e assutadora pela noite fora era lá ir, o aerossol e o ventilan foram companheiros muitas vezes. Nunca se demorava menos do que duas a três horas e lembro-me muito bem de sair já de manhã.
Ontem até era estranho o vazio e o silêncio, não obstante a meia hora fazer parte das absurdas rotinas burocráticas que até praticam triagem quando não há mais ninguém, pensava que ela servia para distinguir os prioritários dos não prioritários. O padrão médico permanece igual, uma quase absoluta indiferença ao doente, receita rotineira entre dois bocejos. Se não se entra a morrer, não há atenção. Só as enfermeiras vão explicando alguma coisa do que o médico receita e do porquê de o fazer, deviam inverter os papéis, já que uns explicam e outros não o fazem.
A explicação para o vazio veio logo a seguir: Dezassete euros e cinquenta por aquela meia hora num hospital público (com sistema de saúde ADSE). Somem mais vinte e um euros de medicamentos. Não admira que os mais velhos já não venham e os mais novos sejam tratados a brufen dado na farmácia. O mais engraçado é que no hospital particular que tem contrato com a ADSE se paga quatro euros por consulta. Alguma coisa vai mail no reino da Dinamarca.
~CC~









