sábado, janeiro 10, 2009

O meu nome é Vanessa (III)


Amor, para além da idade.
Foi assim que a equipa baptizou esta reportagem, fiquei hesitante em concordar. Primeiro temia chamar amor ao que podia não ser, há tantas razões para as pessoas estarem juntas, temia a classificação categórica. E depois se calhar não era para além da idade, se calhar a idade podia ser justamente o importante, elas podiam estar juntas por terem aquela(s) idade(s). Mas há muito sabia que perdia sempre a guerra dos títulos, essa e muitas outras. Depois aquilo não me apetecia, tinha pouca apetência para reportagens sobre afectos, preferia coisas mais desapaixonadas: gostava de projectos profissionais interessantes, de lugares especiais por alguma coisa particular, e de tudo o que se assemelhava a uma batalha de alguém por alguma coisa. Por isso as palavras: "está na altura de fazeres coisas deste tipo", vindas da chefia, soaram-me como um aviso claro de que não seria tolerada a escusa.


E assim comecei à procura de pessoas juntas numa relação amorosa que entre elas teriam pelo menos vinte anos de diferença. Comecei pelos homens por me ser mais fácil. E não foi difícil encontrar o que os movia. Registei com enfado as palavras: são mais frescas, mais doces, mais enérgicas, renovam a vida de um homem, dão-nos uma sensação de confiança em nós, são mais alegres... e embora eu não lhes tivesse pedido comparação alguma, era como se tivessem sempre a comparar as mais novas com as mulheres da idade deles.

Antes da Vanessa entrevistei uma mulher que vivia com um homem mais novo, muito mais novo. Falava dele como se fosse filho dela e fiquei com muitas dúvidas sobre o amor, sobre o que era aquele amor.

Depois a Vanessa. Eu tinha-a avisado que só teria meia hora para ela.

~CC~

1 comentário:

deep disse...

A minha curiosidade aumenta!

Também, por vezes, me pergunto: Haverá um tempo para amar? Quando é que o hábito ou o conformismo se confundem com amor? Etc, etc, etc.

Cada um de nós tem, decerto, uma verdade, por isso as respostas nunca são definitivas, muito menos consensuais. De qualquer forma, é sempre bom reflectirmos ou identificarmo-nos, ainda que tangencialmente, com as histórias que nos contam.

Gosto do que escreves e da forma como o fazes.

Bom domingo. :)