sexta-feira, janeiro 25, 2008

No tempo das princesas sós (VI)

(nota: imagens de estátuas e relógios são do meu arquivo de Praga, uma das cidades mais lindas do mundo. Era a Cidade que escolhia para o tempo das princesas sós)


O jogo dos possíveis é o que se inventa dentro de quem não sabe, quem não pode saber. Era esse jogo que vivia no interior das quatros jovens mulheres: Lucilima, Perpétua, Rosa, Tília. Cada uma delas acreditava mais numa das hipóteses do que noutras. Lucilima achava que os três tinham fugido em conjunto. Perpétua que Hipiricão tinha ido com Funcho, o Jardineiro. Rosa, propensa a sabores doces e intensos, acreditava na paixão de Artemísia e Hipiricão. Tília não pensava em nenhum dos jogos: esperava simplesmente que Hipiricão voltasse.


E nenhuma delas soube a verdade, o tempo de princesas sós terminou nesse Agosto, quando cada uma também partiu rumo a uma outra história. Nunca mais nenhuma voltou à escola das mestras nem foi ver quem dormia no internato que durante dois anos as tinha abrigado, nenhuma delas tornou em busca de pistas que pudessem iluminar o estranho desaparecimento de Hipiricão, Artemísia e Funcho.


A verdade não entrou no jogo dos possíveis, como acontece na maior parte das vezes.


Artemísia não voltou depois do dia em que disse alto o seu poema do mar, caiu na cama em febres altas cujo nome levou muito tempo a descobrir, os pais viajaram com ela pela Europa à procura de cura para tão estranho mal.


Funcho mudou-se para o jardim da escola das Artes e deste para a sala da pintura onde pousou anos como modelo ou, se quiserem, anjo louro.


Hipiricão foi o único que fugiu verdadeiramente. Fugiu das quatro jovens mulheres que amava exactamente por amar as quatro ou por pensar que as amava.
~CC~

(PS: está quase no fim...:))


4 comentários:

Anónimo disse...

As princesas são sempre presas fáceis da solidão. Não há um tempo para a solidão, quando se é princesa!

Mar Arável disse...

AGUARDO

Maria Simplesmente disse...

Estou a gostar desta história. Ansiosa pelo fim!...
Vê o Blog "Lauro António apresenta..." Estive lá e fiquei surpreendida.
Até à vista
Maria

Anónimo disse...

um jogo a aprender... o dos cheiros , as vozes convocadas, as princesa sós, os homens os príncipes tornados guerreiros de coisa nenhuma... No tempo da besta celestial... Comprende? Viveu perto desse tempo inútil, eu tinha 14 anos e diziam-me que eu tinha de fugir... e havia princesas dos guerreiros... Vá Ao Palácio das Varandas, talvez ainda procurando as descobrirá,...
cordialmente