domingo, novembro 25, 2007

Para sempre em mim

Para sempre em mim o sol a nascer no meio da estrada de terra batida ao longo da qual a lente deveria mostrar os olhos que por mais de cem quilómetros estiveram quase sempre a meio caminho das lágrimas.

Sal líquido por causa da beleza, se é que a beleza nos pode fazer chorar. Sal líquido por causa do deslumbramento que é o mundo se poder mostrar diante dos nossos olhos como nunca o sonhamos poder ver. E sal, muito sal, pelo confronto, pela dureza, pelos acenos que por todo o lado nos faziam ao passar. E dentro dos acenos, caras abertas num sorriso que não era possível de entender entre uma vida sem nada, sem quase nada.

Embora, se eu antes já não sabia bem o que é ter, agora ainda sei menos. Desta vez, o desejo de ficar foi forte. Afinal uma cabana sólida e tradicional, num bairro de colmo mas terra lavada e sorrisos doces, custa apenas 500 euros e há lá tanto que fazer. Às vezes acho que essa loucura era capaz de se apoderar de mim. Outras acho que o que trago dentro de mim é já suficiente. Ninguém esquece um nascer do sol assim, muito menos os sorrisos, os acenos.
~CC~
(ondas do mar recuperadas)

9 comentários:

CristinaGS disse...

Já voltaste, nas/com as ondinhas do mar? Um dia não voltas, eu sei :)
Bjs e até amanhã

Mada disse...

É ou não verdade, que só estando podemos conhecer essa realidade?

Um beijo,
Mada.

PB disse...

Oi.
Vi esta LUZ quando vivi em Angola ...
Bjs

CCF disse...

Olá aos três...

vou voltando sim, tenho saudades de cá quando estou lá!

Madalena, o que se conhece pelo cheiro entra na nossa pele, parece que é assim desde que nascemos :) beijo

PB, não sabia que tinhas lá vivido! E onde foi? Bjs

~CC~

Anónimo disse...

sol de África, luz que nunca conseguimos esquecer, aromas que se entranham e que nos acompanham
Carla

CCF disse...

Sim Carla, sem dúvida :) Quanto ao regresso, claro que nada é igual ao que temos na nossa memória...e isso não é fácil...mas para que queremos essa memória intocada? A não ser que se prefira essa imagem fixa no tempo, o que respeito!
~CC~

PB disse...

Olá CC, foi em Luanda, 1971/1974 ... bjs

CCF disse...

PB...e eu que andava triste por não me ter cruzado convosco em nenhum lugar(nada de café Central)! Afinal cruzei-me contigo nas ruas de Luanda nessa altura...´não nos lembramos, mas isso pouco importa :)
~CC~

marta disse...

Sempre ouvi falar no sol de África

eu que gosto tanto, por tão diferente ser de todos os outros lados do país, do sol do Alentejo.