segunda-feira, julho 30, 2012

Fotograma


As pessoas são tudo o que apetece fotografar, não porque sejam lindas, bem pelo contrário. A garota de ipanema devia ser só aquela, ou quase. Parece que no Leblon há mais mas eu não fui lá. Apetece fotografá-las por serem genuínas, indiferentes a quem as possa olhar, senhoras de si próprias. Mas as pessoas não podem ser fotografadas de qualquer maneira, resisto o mais possível a apontar-lhes a objectiva. Aponto assim para o céu, o mar, o verde, ao mesmo tempo todas essas coisas são também as pessoas porque elas habitam de forma intensiva todos os lugares desta cidade, consomem-na com imenso deleite.

Quase toda a gente se apaixona perdidamente pelo Rio de Janeiro. Eu não me apaixonei por esta cidade porque nunca me apaixono assim, necessito de um tempo de namoro que me permita entendimento. E esta cidade necessita desse tempo porque é profundamente complexa se quisermos ir além da superfície. Não é uma mas várias cidades que se justapõem e intercomunicam por pontes, tuneis e escadarias. Poderia, no entanto, apaixonar-me.

Enseada do Flamengo, Julho de 2012

~CC~

3 comentários:

deep disse...

Boas férias. Um abraço. :)

cs disse...

Só se ama perscrutando, "olhar de profundidade" por oposição ao "olhar de superfície.
Achei interessante a visão do texto :)
Boa continuação

Margarida Belchior disse...

... é no "entendimento" (por vezes também "desentendimento", sobretudo de mim própria) que vai fluindo, um dia de cada vez, que é possível acontecer apaixonar-me.

Beijos e bom regresso