quinta-feira, maio 31, 2012

Inevitável (I)


Todos temos uma história triste. A frase é dita pela personagem de uma série, mas podia ser eu a dizê-la. Há uma narrativa de tristeza oculta em cada um de nós, uma sombra. Quando amamos alguém uma parte dessa história triste é dita ao outro sob formas várias, nem sempre pelo uso da palavra. Tenho para mim que o amor dura mais quando o outro é capaz de escutar e compreender a parte do negro que em nós vive paredes meias com o branco, o vermelho, o azul.

Um sombra que corre lado a lado com a luz. Uma pequenina coisa, pode ser apenas aquele dia em que lá na nossa infância após uma queda com sangue à vista e dor a condizer, não houve ninguém para nos abraçar. Pode ser aquele dia no quadro em que ficámos mudos perante a pergunta do professor. Pode ser aquela rosa descoberta num caderno da adolescência por um amigo idiota que a mostrou a toda a gente gozando com a descoberta. Pode ser aquela mão suada de um amigo que largámos por não a aguentar. È tudo feito da mesma matéria de abandono e desamparo, como quando os anjos deixam de saber voar e ficam presos nos beirais.


~CC~

3 comentários:

deep disse...

Tens razão. São tantas as histórias de desamparo. Talvez por isso, por mais que amemos e que nos amem, nunca deixamos de ser/estr sós.
É com um amor assim que eu sonho, o de alguém que me ame também pelo meu lado menos luminoso.

Um abraço do norte. Quando vens até cá de novo?

Maria de Jesus Lourinho disse...

Bonito texto. Contudo, a sociedade moderna não suporta histórias tristes; só quer saber de alegria, elegância, saúde, sucesso e juventudo.E no entanto, o reverso existe. Sempre, e em todos.

CCF disse...

Deep, só devo ir até Guimarães...em Agosto. Mas se vieres por cá diz alguma coisa. Se te apetecer um fds algarvio até 15 Julho estou por lá...depois é que vou cruzar o Atlântico :)
Bjs

Sem dúvida Maria de Jesus, esquecem-se que as pessoas adoecem não só por não conseguirem ficar alegres mas também por não conseguirem ficar tristes.
Abraço

~CC~