terça-feira, agosto 10, 2010

A mulher sem ondas

Era uma família zangada, dos quatro apenas o rapaz, na casa dos vinte, não dizia palavra. A mulher, perto dos sessenta, parecia infeliz. Dizia para o marido: sabes quantas vezes eu vim contigo à praia? Posso contá-las pelos dedos de uma mão.

Ela nunca tinha aprendido a nadar.

E era como se dissesse que era uma mulher que toda vida tinha desconhecido o sabor salgado das ondas de espuma. E era uma mulher que dizia ter sido toda a vida, de certa forma, desconhecida do homem com quem vivia.
~CC~

3 comentários:

Ana Pires disse...

Olá Ardósia:
Li demoradamente o texto...
A mulher sem ondas,sentia-se infeliz e desapontada consigo própria,não com a família...
Um abraço.
Ana.

Mar Arável disse...

Na verdade

passamos parte do tempo

com passos trocados

Bj

Margarida disse...

Terrível viver "sem ondas"! ... :-( ... não podemos deixar de ser embaladas nos suaves e doces braços das calmarias do mar.

Bjs e bom descanso ... :-)