quinta-feira, abril 23, 2009

Abril

As revoluções deviam ser todas na Primavera porque nada combina melhor com o cheiro inebriante das flores e com o nascimento dos pássaros. Elas também são feitas da ideia de um homem e de um mundo novo, alimentadas dessa esperança da reconstrução das coisas como se tudo fosse possível começar, tudo novo no dia seguinte. E quase com a mesma rapidez que desce o sol, também essa esperança se torna sofrimento no rosto dos revolucionários, mesmo que há muito eles não o sejam mais. Colada a amargura nos seus olhos, só a fugaz memória da revolução a passar por dentro deles lhes traz luz. E vivem uma e mais uma vez tudo. E sofrem porque esse tudo é intrasmissível, nada é aliás tão instransmissível como uma revolução. O que fica é sempre a a infíma parte do que por lá passou. Foi assim em todo o lado.


Comemoro pois a infíma parte que nos sobrou e agradeço por ela, porque é preciosa a Democracia, mesmo imperfeita. O que falta nenhuma revolução nos pode trazer, seria necessário um trabalho sério de reconstrução dos modelos económicos e políticos que seguimos até agora. E isso é mais trabalho de formiga do que de cigarra, por mais encantador que seja o seu (en)canto.


O que eu mais gosto nesta data é mesmo o facto dela me fazer pensar.
~CC~

2 comentários:

*JjS* disse...

Também penso. Talvez seja só mesmo a primavera e a renovolução que traz a cada ano. A revolução que não se faz por dentro (a de que tantas vezes desisti e outras tantas retomei)nunca chega a sê-lo.
Aí a primavera faz melhor.

Abril, o Abril da esperança, da liberdade e de todas as utopias, talvez não se transmita mesmo. Resta-nos a possibilidade de o construirmos no nosso quotidiano, na nossa relação conosco e com o mundo.
Abril, assim, sempre!

deep disse...

Talvez algumas revoluções aconteçam na Primavera porque o homem, como a Natureza, se sente renovado, com mais energia.

Agora, mais do que há uns tempos, somos levados a pensar, a questionar a Democracia que temos.

Que o dia tenha o sabor da Liberdade! :)