quinta-feira, janeiro 03, 2008

Que pensar...do que se passa no Quénia

Às vezes não sei qual é o lado onde me devo colocar. Já foi mais fácil. Às vezes não sei o que pensar.


Em África tem sido muito difícil que as eleições não terminem em sangue derramado, vidas inutilmente perdidas. Exportámos do ocidente convictamente o modelo, como se a Democracia se pudesse instalar em qualquer parte do mundo, como se nenhuma dúvida pudesse existir. Eu hoje tenho tantas dúvidas. Será que aquilo que é um princípio para o governo da humanidade: o povo poder eleger os seus governantes-pode assumir formas diferentes de se concretizar para além dos papelinhos nas urnas com a indicação de voto? Penso noutras formas de concertação das diferenças, das tendências, dos interesses. Penso que se poderiam encontrar outros modelos mantendo o mesmo princípio, que nos conformamos demais com o que já existe, como se esta nossa Democracia fosse o modelo acabado da perfeição. Antigamente os povos e sobretudo as etnias tinham outras formas de concertação dos seus interesses e nem sempre era a Guerra a solução, às vezes vivia-se em Paz. Mas tenho dúvidas, tenho também dúvidas sobre os modelos alternativos que passam, por exemplo, por concílios de chefes (antigos sobas, reis ou chefes tribais).


Sei também que a informação que nos é dada nunca é suficiente para compreender nada, é assim com o Quénia, como antes foi com o Paquistão. Vemos o sangue, mas pouco sabemos do que o faz correr.


Queria saber mais, compreender melhor e sobretudo que cada coisa não nos fosse oferecida como inevitável, como se fosse o único caminho, a única solução. Queria pensar para além da tristeza que sinto com estas imagens. É que o meu coração bate a sul.
~CC~

5 comentários:

Maria disse...

Não tens que me agradecer o lugar onde te coloquei, visitei-te gostei do que li, é uma honra a tua presença.
Bj
Maria

Anónimo disse...

Não consigo esquecer o filme " Ruanda". Ele retratou tão bem um drama tão semelhante a este que está a acontecer no Kenia. Esta incapacidade das tribos se entenderem e darem uma oportunidade de pensar por si só a cada pessoa e não como rebanho.
O mais lamentável é como estas noticias nos entram televisão a dentro e nós continuamos a nossa vidinha... que mundo injusto este. Acreditemos ou não serão as pressões dos países e continentes ricos que conseguirão fazer acalmar os ânimos.

Um abraço amigo,
Madalena.

Maria disse...

Compreendo-te tão bem!
Eu também duvido das palavras com que nos enchem os ouvidos e nos tapam os olhos.
A democracia que temos será democracia?...
Ando desmoralizada neste mundo maluco.
Um abraço
Maria

Anónimo disse...

Às vezes cansa-me pensar, principalmente porque dói e porque me cria imensas dúvidas!!!
Carla

marta disse...

Mas não é inevitável, só que quem o poderia evitar, empresas que deveriam lá apostar e investir, pagando ordenados justos e nações ricas, querem lá saber dos outros.

Mas que haveria alternativas, estou convencida.

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.