- Professora, isso de cada um levar a sua loiça...usamos de plástico!
- Então mas não eram vocês que queriam fazer uma conferência sobre 2102 como ano internacional da energia e do planeta sustentável?
- Sim, mas é mais prático...eu não venho com um prato, um copo e um talher de casa?
- Então, pesa muito?
- Não dá jeito...
~CC~
sábado, novembro 26, 2011
quinta-feira, novembro 24, 2011
Sublinhados nos dias (III)
Geral, geral...é mesmo a desilusão, esse maldito mal, este Outono anda mais negro do que nunca. É preciso dar outros nomes às coisas.
~CC~
~CC~
terça-feira, novembro 22, 2011
Este difícil colectivo (I)
- Professora, a turma tomou uma posição e não quer fazer o almoço colectivo tipo piquenique.
- Explique...
- Uns depois trazem coisas e outros não trazem...a folha para indicarmos o que trazíamos está vazia.
- Mas quem participa traz alguma coisa para partilhar...
- Estamos sem dinheiro...
- Então não vão comer?
- Sim, mas cada um traz a sua sandes ou vamos ao ...(abstenho-me de publicitar a coisa)
- Então e se você em vez de uma sandes trouxer um pão? Uma fruta...
- Um pão...e como só o pão?
- Só o pão? Não, outros trazem qualquer coisa para pôr no pão..
- Nã...eles não trazem.
~CC~
- Explique...
- Uns depois trazem coisas e outros não trazem...a folha para indicarmos o que trazíamos está vazia.
- Mas quem participa traz alguma coisa para partilhar...
- Estamos sem dinheiro...
- Então não vão comer?
- Sim, mas cada um traz a sua sandes ou vamos ao ...(abstenho-me de publicitar a coisa)
- Então e se você em vez de uma sandes trouxer um pão? Uma fruta...
- Um pão...e como só o pão?
- Só o pão? Não, outros trazem qualquer coisa para pôr no pão..
- Nã...eles não trazem.
~CC~
domingo, novembro 20, 2011
sublinhados nos dias (II)
Senti debaixo dos pés as folhas secas dos plátanos, com a ambivalência de quem se sente parte da matéria morta de um país, e ao mesmo tempo a asa de um voo de um país outro.
~CC~
~CC~
sexta-feira, novembro 18, 2011
Singularidades masculinas (II)
O homem dos quatro cães pretos faz parte da paisagem da minha cidade. Nasceu já com sessenta anos, com aquele bigode, e com os quatro cães. Ele consegue percorrer com eles distâncias improváveis para qualquer pessoa, e por isso o encontro nos mais diversos sítios. Ele sozinho, outras vezes com a mulher magrinha pendurada no braço, outras com algum amigo que percorre com ele um pedaço do caminho. Esses amigos vão mudando, como se o apanhassem num ponto do percurso e o seguissem para depois virarem mais adiante.
Os quatro cães do homem são de uma raça perigosa e por isso ele leva-os numa trela de quatro, como se fossem ramos de uma mesma árvore. Os cães perigosos são imensamente pachorrentos, lentos, doces. Os quatro cães perigosos sentam-se muito quietos à porta dos cafés onde o homem toma um bagacinho, intimidam a entrada a quem não os conhece, por isso o homem tem amiúde problemas. Já vi quase a lutar com um dos meus vizinhos, batendo-se pelos cães como se fossem a sua dama, já o vi esconder-se (ele e os seus quatro) num segundo mal chamam a polícia, já o vi mudar estratégicamente o caminho para descruzar de outros cães.
Este homem não pode ter tido outra idade, nem feito mais nada na vida.
~CC~
quarta-feira, novembro 16, 2011
Sublinhados nos dias (I)
A inteligência brilha infitamente mais que o dinheiro. O seu sabor desfaz-se muito mais lentamente na boca e o seu calor é coisa que perdura.
~CC~
sábado, novembro 12, 2011
Singularidades masculinas (I)
Ele escolheu primeiro o ângulo do café onde podia vê-la dentro da loja. E ali esteve, o café a arrefecer na mesa, o corpo gelado, o olhar fixo. Mas ainda a via muito ao longe. Ele levantou-se e ficou em frente à montra da loja dela, disfarçando por breves momentos a sua fixação na rapariga com a análise das malas da estação. Mas ela não se mexia por trás do balcão, ignorando a sua presença. Ele colocou-se então bem no meio da porta da entrada, forçando quem queria entrar a contorná-lo. Era grande o rapaz, parecia um urso acossado, um bicho perdido. Não havia palavras, esta coreografia era vivida em silêncio.
Até que a rapariga se mexeu por trás do balcão e veio quase até à porta, fez o gesto de o enxotar, um pedido angustiado para que se fosse dali. As colegas evidenciaram um riso nervoso. O rapaz não se mexeu, parado à entrada da loja, o olhar fixo na rapariga.
De repente já não era romance o que se desenhava mas sim tragédia. Tive algum receio pela rapariga. Mais ainda por aquele rapaz cujos olhos tinham tanto vazio, quase loucura. Pensei nos seguranças, que talvez devesse chamá-los, alguma coisa não batia certo entre aquele rapaz e aquela rapariga.
Baixei os olhos por momentos para a minha leitura. Quando os levantei não o vi a ele, nem a ela dentro da loja. Ponderei a hipótese de estar com alucinações. Ou de me ter cruzado com mais uma história de que não saberia o fim.
Certo é o receio dos rapazes que amam em excesso, com aquele vazio dentro dos olhos, quase sempre desembocando numa faca, num tiro de pistola, na morte de uma mulher.
~CC~
sexta-feira, novembro 11, 2011
Singularidades masculinas
Ele dança, mesmo sem nunca ter dançado. Basta colocar o seu coração no sítio certo, e conseguirá ser uma das cinquenta pessoas, pessoas especiais.Mais aqui: http://www.teatromunicipaldefaro.pt/teatro/programacao/evento.asp?id=1016
~CC~
quinta-feira, novembro 10, 2011
Aparência
O gmail insiste para que mude para a nova aparência e comente como é que me estou a sentir.
Resisto, estou habituada a ver-me assim ao espelho, não obstante as olheiras mais e mais extensas e um certo brilho no olhar que só aparece agora em dias mais luminosos e dentro de certos abraços.
~CC~
Resisto, estou habituada a ver-me assim ao espelho, não obstante as olheiras mais e mais extensas e um certo brilho no olhar que só aparece agora em dias mais luminosos e dentro de certos abraços.
~CC~
terça-feira, novembro 08, 2011
Neruda na minha aula
Às vezes perco-me um bocadinho nas aulas, justamente naquelas em que tenho segurança sobre os conteúdos a abordar. Viajo até lugares, até pessoas, histórias, projectos. Queria estender-lhes o mundo diante deles para perceberem que é muito grande, muito diverso, muito e infinitamente rico. Aparecem inadvertidamente umas poeiras nos olhos porque uma pessoa não chora nas aulas e por isso são só estrelas. Hoje uma aluna disse com admiração: como é que sabe tantas coisas...e eu olhei-a e era uma miúda.
E respondi-lhe que não era assim, que tinha apenas mais trinta anos que ela. Mas devia também ter dito: trinta anos de muito movimento, trinta anos de busca, de partidas e chegadas, de querer ver, de querer saber. Trinta anos a vencer dia a dia a timidez até me esquecer dela. E só me veio à cabeça a frase do Neruda na sua biografia: confesso que vivi.
Mas mal esta frase me ocorreu, apareceram ainda as coisas que estão por viver.
Desenhou-se diante de mim o oceano e esse continente além Atlântico em que nunca pisei. Fechei os olhos: Chile, Argentina, Equador, Brasil. Não se trata de turismo, mas de estar e conhecer as pessoas.
Confesso que ainda tenho que viver.
~CC~
domingo, novembro 06, 2011
Bom dia
Já ninguém diz bom dia quando entra no café, num transporte público, numa sala de aula. Já quase ninguém o diz em algum lado.
Sobram as aldeias e algumas vilas onde os velhotes nos cumprimentam amavelmente com os seus gestos lentos e gentis.
E agora que a C me convida para nos encontrarmos mais cedo com os Domingos caminhando, recebemos dúzias de bons dias dos ciclistas com os quais nos cruzamos. E é bom.
~CC~
Sobram as aldeias e algumas vilas onde os velhotes nos cumprimentam amavelmente com os seus gestos lentos e gentis.
E agora que a C me convida para nos encontrarmos mais cedo com os Domingos caminhando, recebemos dúzias de bons dias dos ciclistas com os quais nos cruzamos. E é bom.
~CC~
sábado, novembro 05, 2011
O essencial (II)
Viajei com R há cerca de três anos para um seminário em Itália, ambas tínhamos participado num projecto comum de uma ONG portuguesa, em sintonia com outras ONG no mundo, no término desse trabalho tinham decidido partilhá-lo e traçar novos rumos. Guardei de R apenas o nome, a imagem de uma mulher empenhada, como tantas outras com quem nos cruzamos nessas rotas. Mais tarde, no início deste Verão, a mesma ONG convidou-me para ir a uma reunião deles. Vou porque gosto da forma como eles trabalham, se juntam e conversam. Geralmente não almoçam em restaurantes nem alugam salas em hoteis, é tudo muito caseirinho, com comida feita por ali e uma sede que se transforma num ápice num espaço de encontro. Andam com as cadeiras às costas entre a sala de reunião e a improvisada sala de refeições. E todos participam, todos falam, o que é espantoso para quem conhece o mundo académico como eu, e sabe qual é nível de participação que os seminários aí organizados costumam ter.
R escreveu-me há cerca de dois meses, propondo-me que fosse à escola dela apresentar um documento no qual eu tinha participado como elemento de uma equipa. Falei-lhe em dois caminhos, um o das inevitáveis burocracias, e outro informal, em que tudo se poderia desenhar mais velozmente. Escolheu o segundo. E foi assim que esta Quarta Feira fui a caminho do Alentejo. Esperava-me para um almoço acolhedor numa tasquinha no meio do campo, a preços módicos e com comida caseirinha. Ela e o marido (eu e o meu rapaz) , deixando assim que estas fronteiras que costumamos colocar entre a vida profissinal e a privada se possam esbater sem que fiquemos por isso menos profissionais.
E não necessitámos de qualquer tipo de transacção monetária, eles convidaram, eu fui porque quis, afinal o voluntariado que nos sai da alma não dói.
Tudo simples, verdadeiro, escorreito. É isso o essencial.
~CC~
terça-feira, novembro 01, 2011
O essencial
A crise ensina-nos algumas coisas. Não tudo como eles querem. Não para nos convencer que somos culpados de nos terem convencido que deveríamos entrar na categoria de proprietários das casas em que vivemos. Já os meus pais que praticamente toda a vida foram arrendentários, desejavam não o ser. Incentivaram-nos o mais possível ao consumo, agora criticam-nos. A verdade é que por causa da crise começamos a pensar melhor no dinheiro que temos e no modo como o gastamos, é talvez a única coisa positiva.
Um sábado no cinema em zona nobre Lisboeta. Eu comprei bilhete combinado, um almoço tardio com filme incluído, dois em um permitiu-me poupar nas duas coisas. Depois os avós e os netos. Um casal de avós ainda novos e quatro rapazinhos entre os 4 e os 11 anos. Sentaram-se ao meu lado, os avós com um chá para cada um e os meninos cada um com a sua sandes trazida de casa. A avó trazia ainda uns bolinhos secos. Só os sumos foram comprados ali, mas devidamente repartidos. Não houve pipocas. Quatro bilhetes de cinema, ou seja, seis, custam dinheiro. Mas mais ainda custam os pacotes de pipocas, os maiores são mais caros que os bilhetes. E o que importa é o cinema, não as pipocas.
A conversa saborosa: digam lá, valeu a pena virmos ao cinema? Os meninos em coro com voz fininha: siiiiimmm. Então e já conheciam este herói da BD: o pai tem os livros...E o avô conta histórias sobre a sua infância mergulhada nos livros do Timtim.
O cinema, ainda assim a preços exagerados, e que vão subir mediante a aplicação da nova taxa do IVA aos espectáculos. Encontrarei mais estes avós com os quatro netos?
~CC~
sábado, outubro 29, 2011
As marcas da areia preta (V)
Lembro-vos. Sou uma mulher na metade dos trinta, casada, dois filhos. Sou analista clínica há cerca de 17 anos. A empresa de análises onde sempre trabalhei resolveu abrir uma clínica no Faial, e eu fui destacada como a mais antiga funcionária para ajudar os mais novos por um período de três meses.
Amanhã faz um ano que estou aqui e fui apenas uma vez a Lisboa ver os meus filhos e o meu marido. A culpa é da areia preta da praia de Porto Pim e do mar tépido e quente. A culpa é deste céu sempre a mover-se durante o dia, não há desenhos de cinzento, branco e azul como este. A culpa é de M, um rapaz que me levou ao vulcão. A culpa é de M e da sua estranha forma de vida. Um rapaz livre que acompanha turistas de acordo com as vontades que lhes adivinha no olhar, esse quase menino que só tem presente e não tem futuro. A culpa é da família de M que não lhe desenha um trilho como os meus pais me desenharam, sem nunca me deixar escapar dele. A culpa é do meu presente que se tornou irrespirável. A culpa está nos almoços invariáveis de Domingo em casa da Sogra e das compras de rotina ao sábado de manhã. O meu corpo meio morto deitado ao lado do corpo meio morto do meu marido. Ainda assim sinto falta do corpo quente das minhas duas meninas, dos seus abraços longos na chegada a casa.
Mas a verdade é que nunca fui tão feliz como agora.
~CC~
(fim)
quarta-feira, outubro 26, 2011
Notas soltas numa tarde de chuva
Gosto de ver as pessoas nas conferências, não apenas os conferencistas. Mas desta vez a tempestade fez-me pensar duas vezes na travessia da ponte. Havia transmissão on-line. E mesmo sem ver os rostos, nem ouvir o burburinho, mesmo sem sentir a agitação da plateia, não dei o tempo por perdido. Sentei-me em frente ao computador a ouvir Júlio Machado Vaz (ele na Fundação Calouste Gulbenkian e eu na minha sala com a chuva a bater nas janelas) e com um bloquinho de notas ao lado. Não sei se sou suficientemente fiel às frases que cá ficaram, mas são com certeza muito aproximadas, algumas delas citações dele de outros autores.
" A consciência da morte e a imaginação são os aspectos que nos distinguem ds animais"
"O duplo padrão de socialização (rapazes/raparigas) ainda se mantém relativamente às questões sexuais"
" A internet apenas potencia o lado negro que nos habita" (muito mais sobre o tema como a redefinição que introduz nos conceitos de amizade e privacidade)
" Vivemos numa sociedade saturada de sexo e paupérrima em termos eróticos"
E linda a definição de amor que trouxe do Virgilio Ferreira:
" o amor é uma longa paciência"
Ao que eu li uma casa em permanente construção ou uma vida em perpétua arrumação...e combinando com a tarde: um vento forte que nos desalinha os cabelos.
~CC~
segunda-feira, outubro 24, 2011
Reduções
Primeiro desejamos flores, frescas, saídas do campo ou dos jardins, apanhadas à mão ainda com o orvalho a gotejar. Amanhã pode ser só um ramo comprado numa florista, ou apenas uma rosa. Depois de amanhã já não esperamos flores, sabemos que morrerão em poucos dias, é dinheiro que não valerá a pena. Risquemos as flores do mapa dos desejos. Aceitamos riscá-las.
Primeiro desejamos noites com lua cheia, ficar a vê-la um bocadinho entre dois beijos. Depois vamos esquecendo que ela existe, ligamos a televisão e depois dela a Internet, ou mesmo as duas. Primeiro vemos qualquer coisa juntos, depois e inevitavelmente separados. Lua, mas qual lua, isso é um astro morto, asfixiado entre rotinas. Lá se vão os tolos beijos junto de uma lua ainda mais tola. Aceitamos riscar a lua do mapa dos desejos.
Primeiro desejamos viajar, ver o mundo a quatro olhos, cruzar as ruas e os campos até desmaiar de cansaço num abraço. Mas depois as coisas ficam mais e mais longe, e as pernas já não querem ir, a gasolina é cara, e as noites em colchões desconhecidos matam o sono manso. O café da esquina serve, tem afinal um café igual a todos os outros. A nossa cama também serve, nela se pode fazer a mesma coisa do que em qualquer quarto de pousada ou hotel.
Nem damos conta, ou não queremos dar. E se vemos ao espelho uns olhos mais tristes dizemos que a paixão é coisa que passa e o amor sim, é esta certeza do outro estar ao nosso lado. Ao nosso lado, mesmo que não connosco. Ao nosso lado e chega. Reduzimos, amansamos, e aceitamos que o mapa dos desejos é um papelinho de uma só frase: não quero ficar só.
~CC~
sábado, outubro 22, 2011
O rosto da cidade (I)
As cidades respiram com um rosto próprio.
Quando não sabemos das máquinas fotográficas, só podemos usar as palavras, pintá-las com letras ao nosso modo.
Viana tem olhos claros. É uma cidade do Norte que está a sul. É a luz dourada que se espalha nas praças e junto ao rio, não se fecha sobre si própria para se proteger dos ventos frios. É uma cidade de diálogos diversificados que quis, sem conseguir completamente, fugir do falso progresso. Lá está o prédio Coutinho: 5 andares a mais do que a lei permitia, e as fundações sem o suportarem. Um caco de 10 andares numa avenida em que as árvores se abraçam com os troncos para produzir um tunel de sombra.
A visita guiada à cidade, da qual pouco precisaria, mas se integrava no programa do encontro, foi feita a pé. Curiosamente orientada por um alemão inexpressivo, que nos mostrou sem um pingo de emoção, a mais bela biblioteca que existe em Portugal. Até agora a biblioteca de Alcochete estava no topo, mas a de Viana destronou-a, não apenas por ser Siza Vieira, mas por o ser no seu melhor. O edifício está deitado no rio que entra por todas as janelas e se mistura entre a madeira clara e os livros. Ficar aqui.
Sentei-me ali sossegada e deixei-os seguir. O guia alemão não conta as pessoas, aliás nem sei se as vê. Perdoem-me o estereótipo mas este cumpria-o na perfeição.
Dez minutos e a vida a passar-me à frente: e se eu ficasse aqui, e se eu me deixasse mesmo ficar para trás.
E assim começaria uma história.
~CC~
quarta-feira, outubro 19, 2011
Até Viana
Vou atravessar o país até bem longe do meu Sul. Quero ver como estão os rostos das pessoas além Tejo e além Douro. Que bom que o trabalho me conduz para fora das minhas próprias angústias, das minhas paredes.
Vamos ver se além das sombras deste tempo lhes passa também nos olhos a luz do Outono.
O resto vai comigo, a inevitável tristeza de ver o Verão findar.
~CC~
Vamos ver se além das sombras deste tempo lhes passa também nos olhos a luz do Outono.
O resto vai comigo, a inevitável tristeza de ver o Verão findar.
~CC~
segunda-feira, outubro 17, 2011
canção de embalar para meninos tristes
Pudesse eu usar um trapézio
para me fazer voar
e comigo o dia inteiro
este vazio
é o bicho da seda
enrolado nessa teia de morrer no casulo
ou tecer futuros
romper dias sombrios
que bela borboleta.
~CC~
para me fazer voar
e comigo o dia inteiro
este vazio
é o bicho da seda
enrolado nessa teia de morrer no casulo
ou tecer futuros
romper dias sombrios
que bela borboleta.
~CC~
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