Depois disso uma doença foi tomando, um a um, os nossos homens. Só se salvaram os que eram meninos. E nós, as mulheres, embora nessa altura o meu tamanho e o meu coração fossem os de uma menina.
domingo, abril 24, 2011
ALMAR III
Depois disso uma doença foi tomando, um a um, os nossos homens. Só se salvaram os que eram meninos. E nós, as mulheres, embora nessa altura o meu tamanho e o meu coração fossem os de uma menina.
sábado, abril 23, 2011
ALMAR II
Eu fui uma criança Almar. Passava horas a ver as formigas desenharem os seus carreiros, tinha as minhas mãos sempre sujas das tintas com que as mulheres tingiam os tecidos e com os restos delas pintava os troncos das árvores.
Eu acreditava que todas as coisas tinham uma alma e podiam falar comigo e achava que o seu silêncio era apenas porque deveria saber esperar os seus sinais. E falava-lhes, eu falava-lhes sempre. Eu sabia que as bonecas de pano só se podiam casar uma vez por mês porque a festa delas era de folhas e flores e eu não devia arrancá-las com frequência. Fecho os olhos e tenho em mim todos os cheiros e sabores da minha infância e quando os abro pergunto pelo que sobrou.
~CC~
sexta-feira, abril 22, 2011
ALMAR I
Eu fiz parte dos Almar. Os Almar são uma tribo simples cuja função é cuidar que os rios cheguem sempre ao mar, velar para que se dê a união necessária das espécies e a fusão do doce com o salgado. No momento em que vos escrevo, o meu povo está em vias de extinção, como uma qualquer outra espécie animal ameaçada. Digo-vos como éramos, como nos perdemos, como somos agora.
Os Almar viviam todos nas proximidades dos estuários, em grandes tendas de lona azul. Os olhos, de cor indistinta, eram líquidos e os cabelos quase vermelhos, por causa das cores de tingir os panos. As mulheres ocupavam muito do seu tempo neste ofício de tirar o branco dos tecidos e depois vendiam-nos como tapetes de flores nas feiras mais próximas. Uma criança Almar procura sempre o curso das linhas azuis nos mapas do futuro e tem na pele um triângulo desenhado com a seiva das árvores.
quinta-feira, abril 14, 2011
terça-feira, abril 12, 2011
Do absurdo de algumas tardes
Não consegui ler uma linha por causa da avaliação que se passava na mesa ao lado. Não, não se tratava da avaliação dos professores, nem tão pouco da avaliação dos alunos. Era apenas uma escala nova de avaliação das universidades inventada por uns machos jovens. Tudo se resume afinal a uma fórmula bem simples: quem tem as mais boas, mais bonitas, e que se deixam "comer" (e acrescentavam "se deixam comer sem serem porcas", e confesso que esta não percebi). Assim, do ISCTE, à Lusofona, ao ISPA, ao ISLA...todas foram avaliadas, sem qualquer juizo de valor entre o ensino público e o privado. Um enorme destaque foi dado a umas veteranas boas que coleccionavam caloiros, o que aumentava a percentagem dos moços desejosos de frequentar a dita universidade.
sexta-feira, abril 08, 2011
Surpreendentes as manhãs
quinta-feira, abril 07, 2011
Breves os instantes
segunda-feira, abril 04, 2011
Da Lezíria
VALE (Teatro da Trindade, Domingo de há quinze dias)
Vi, sentada nas escadas do teatro a abarrotar, com os olhos abertos de espanto, que no fim estavam molhados, a lezíria inteira num palco.
Os bailarinos eram cavalos, bezerros, e bois, e estavam à solta no prado, em poses de zanga e namoro, mansos em dias de sol, e perturbados sempre que a tempestade lhes chegava ao sangue. Os corpos dos bailarinos eram a arte da transformação. E quando eles se vestiam, projectavam nas suas roupas, as imagens de uma terra toda ela um horizonte. Não estavam, porém, sós, os seus olhos que tinham ido ao vale, tinham deles trazido outras mãos, outros rostos, o verdadeiro povo da lezíria. Tinham dançado juntos, armando uma teia corpos perfeitos e corpos imperfeitos, num baile único pelo qual a banda puxava, como se de uma matiné de Domingo se tratasse.
sexta-feira, abril 01, 2011
Resgate
quarta-feira, março 30, 2011
sábado, março 26, 2011
Praça do Brasil
sexta-feira, março 25, 2011
Fora de moda
quarta-feira, março 23, 2011
Tons
em que o negro tem tons
e nos querem dizer que somos
as borboletas presas no casulo
e é só isso que está no semi círculo das gravatas
cinzento alinhado
variante de negro carregado
descemos e subimos avenidas
todas elas acabadas como rotundas
adornadas pelo artista da terra
se ao menos o teu grito e o meu
se tornassem esta primavera de papoilas
capaz de tingir meio universo
se ao menos o meu sonho e o teu
rasgassem a quietude das cores sufocantes
para trazer a lua a morar na terra
procuram-se horizontes
boletins de voto a tons de azul
sem partido e sem dono
outra casa.
~CC~
segunda-feira, março 21, 2011
Recado
Rasga da árvore o fresco do seu verde. Arranca do mar aquele sal que nos fica a cada banho. Deixa cair as lágrimas a cada negrume. E deixa o teu riso ser lume em certas manhãs. E até à tua morte nunca deixes de dar um beijo. Cola a tua alma as coisas. E festeja hoje a poesia.
domingo, março 20, 2011
Domingo no mundo
Assim enfrentarei melhor as tempestades dos dias, e as feridas que se abrem diante de mim, por vezes expostas nos olhos que quem passa, e de outras escancarada nos olhos de quem não nos vê do outro lado do mundo, mas que nós vemos ali, como se acordasse ao nosso lado. A dor é a dor, mesmo quando ela aparece em rostos japoneses sem lágrimas. De repente, eu sou a jovem que usou durante anos o crachá a dizer nuclear, não obrigado.
quarta-feira, março 16, 2011
Gemido no mundo
sábado, março 12, 2011
quinta-feira, março 10, 2011
O beijo da morte
Parecia ser um beijo inocente e bom, de alguém cujo rosto não lembro. Queria-o e desejava-o. Mas em vez de parar o beijo continuava e continuava como um selo que não me deixava respirar.
E eu tentava sem êxito separar-me daquela boca mortal.
Acordar foi o modo de não morrer.
~CC~
PS. Psicanalista precisa-se.
terça-feira, março 08, 2011
OIto
Todos os dias são meus.
segunda-feira, março 07, 2011
Perguntas inocentes (I)
sábado, março 05, 2011
Dia teu
E isto porque imitas na perfeição as rolas em cantos chamativos.
E isto porque é pelas tuas mãos que o calor chega tantas vezes.
E isto porque com esse calor se afastam sombras.
E fica um um dia mais claro.
Nasceste é é início de Primavera outra e outra vez.
~CC~
quarta-feira, março 02, 2011
Final incerto
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Contas
E com essa metade consigo evitar o afogamento.
Cerca de metade dessa metade desfaz-se perdida no modo como o sol vem acordar as flores.
E apenas com um quarto de dor até consigo uns belos sorrisos a cada manhã. E isso é muito mais que evitar o afogamento.
~CC~
sábado, fevereiro 26, 2011
Dúvida metódica
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Curtas (VI)
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Curtas (V)
Andavam também à solta nos olhos do Zeca, e habitavam o seu coração salgado. A única coisa possível a dizer é que são vinte e quatro anos de saudade, se podemos dizer saudade de alguém que não sendo nosso, foi de todos nós.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Curtas (IV)
E nas aulas que fizeste hoje, à base de abraços.
Nas aulas que também farei com muitos abraços.
É preciso acreditar, pedir aos meninos que desçam dos telhados, abraçá-los.
~CC~
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Curtas (III)
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Curtas (II)
terça-feira, fevereiro 15, 2011
sábado, fevereiro 05, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Final Tese(II)
(ai se os meus professores lessem este blogue!)
~CC~
Final Tese (I)
Passar pelas lojas e não me apetecer comprar nada. As coisas, se as toco, parecem-me vazias, como se as minhas mãos não as pudessem agarrar. Não querermos nada, haverá melhor modo de poupar.
~CC~
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Final tese
Os amigos ligam cada vez menos. E sentimos como dolorosa a sua falta, enquanto nos sabemos praticamente indisponíveis.
~CC~
Ética adolescente (II)
- É bonito é...infelizmente!
- Então porquê? Preferias que fosse feio?
- Queria era que fosse bonito só para mim!
~CC~
(Fertagus, ainda há pouco)
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Ética adolescente
- É pá...tens é que saber se eles são namorados ou só curtem!
- Achas que faz diferença?
- Então não...se só curtem podes avançar, és só mais um.
~CC~
(À porta da escola)
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Esta vida
sexta-feira, janeiro 28, 2011
quarta-feira, janeiro 26, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
Ver
(Dou-lhes o espelho)
E eles respondem: vejo que os outros são feios.
(Os outros, mas como os vês nesse espelho onde está o teu rosto? É de ti que te peço para falar)
E eles respondem: o meu rosto, sim, tem uns pequenos defeitos
(Abre mais os olhos, fala-me também da tua beleza, e do que que não é belo, mas podes torná-lo belo, é essa a arte mais bela, a da transformação)
E continuamos um difícil diálogo sobre os sentidos.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cafés (I)
domingo, janeiro 23, 2011
Ao engano
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Produto apreendido
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Em observação (II)
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Pequenos nadas
É estranho mas nem tenho frio, aliás nem me sinto. Qualquer dia saio fora de água, dou à costa numa praia do sul, e deixo-me estar quieta ao sol. Qualquer dia sinto-me, paro para escutar o meu coração, arrisco o perigo.
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Poeira quente
domingo, janeiro 16, 2011
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Há mais de vinte anos
terça-feira, janeiro 11, 2011
Tarde interrompida
domingo, janeiro 09, 2011
Resistência
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Estas coisas que se desejam (II)
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Estas coisas que se desejam (I)
domingo, janeiro 02, 2011
Regresso
(cresci com ele como uma segunda pele).
Regressou e não sei que vos dizer dele, parece cansado e aninho-o em mim. Regressou e não sei que vos dizer dele, parece um fardo que se soterra em mim.
~CC~
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Um a sumir-se, outro a aparecer
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Cheiro a canela
terça-feira, dezembro 21, 2010
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Baloiço, balanço...
em que morreu uma parte de mim
que ainda desconhecia
um pai acabado de chegar
Foi este em que por quase nada
te perdi no sufoco
de seres gato e eu lebre e eu cabra
no Agosto mais quente da memória
Este foi o ano
em que o quase foi sempre
a palavra ao pé da boca
trava-línguas amargo-doce
Quase arranjei um amigo
suave e sensível
uma noite de Verão que prometia estrelas
mas se escondia delas se fossem cadentes
Quase acabei uma tese
mas mastiguei-a demais
e está enroscada entre o coração pardo
e a garganta rouca
Este foi o ano
do seu crescimento maior
a minha roupa deixou de servir
e a dela é sempre pouca
Soube também dessa fatalidade
O mundo está em crise
e ela é bem maior que a minha
cujas sombras sucumbem na Primavera
Foi este em que quase fui feliz
mas nisso foi igual a tantos outros
um quase brilho sempre a fugir
e eu em mergulho atrás dele
E é cedo ainda
nem chegámos ao Natal
e eu já de volta das passas.
Deve ser essa explicaçao do quase.
~CC~
PS. Sabias que as estrelas cadentes são também conhecidas como “lágrimas de São Lourenço”?
(ver aqui)
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O frio a sul
segunda-feira, dezembro 13, 2010
As três vidas
Uma mulher e três vidas, só na última um sopro de amor. Marcada pelos maus olhados cunhados nos mistérios com que o mundo rural olha para a vida, o azar chega-lhe pelo nascimento. Será a única rapariga entre rapazes, e apesar de muito pequena, é forte como uma vara que o vento é incapaz de quebrar. A tudo resistirá e ainda fará fortuna.
É espantosa a forma como o Teatro Mosca conta a história dela, com elementos cenográficos simples mas eficazes, um conjunto de bocados de madeira que se articulam para fazer mesas, montes, casas, abrigos. Actores muito novos, muito bons. Uma actriz a registar, de uma segurança absoluta na contenção da dor, um rosto permeável, capaz de se deixar escrever a todas as emoções. Dizem que ganharam um prémio em França, fico a pensar como será mais difícil que o ganhem aqui.
De Sintra para Faro, da Mosca para o CAPA, fora dos roteiros onde a mundanidade se constrói em círculo. É como ir ao cineclube em vez de ir ao cinema do centro comercial. É respirar outro ar. Infelizmente são estes, os melhores, os menos conhecidos, que costuma tombar com as crises. As telenovelas essas continuam. O bairro alto também.
Mas há mais vidas, como com Lucie, um dia as pequenas coisas trinfurão, não por serem pequenas, mas por habitarem a singularidade do espectáculo fora do espectáculo.
~CC~
domingo, dezembro 12, 2010
Vitamina certa
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Resistir, ainda crescer
Falo pelas escolas onde ando, por aquelas com quem colaboro, por quem vou tecendo a admiração que nasce de muitos buracos negros, que sobrevive do desespero, e quantas vezes do meu próprio desespero. O que é diferente agora? O que é diferente do tempo em que eu andei na escola? Diferente é apenas isto: juntamo-nos, fazemos perguntas, não aceitamos o abandono, a desistência, o insucesso. E se sabemos que a escola não pode fazer tudo, pensamos sempre que pode fazer alguma coisa.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
A melhor fuga
terça-feira, dezembro 07, 2010
A suster as marés
domingo, dezembro 05, 2010
Livro do futuro
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Ela e Ele
Imagem retirada de: http://sic.sapo.pt/online/entretenimento/chakall-e-pulgaBem mais ousado do que a Nigella, o Chakal tornou uma carripana uma cozinha ambulante movida a energia solar e deixou-se de lugares televisivos imaculados. Ele aí vai por essa estrada fora à procura dos produtores locais, e do que cada região tem de melhor, não para imitar as receitas antigas mas para as transformar com o toque de quem mistura antigo e moderno em banho-maria. Uma galinha cerejada na serra do Caldeirão é galinha com figos e amêndoas e uma tarte de maçã passa a ser de medronho. Para quem tem no sangue a nostalgia dos anos 60 mas sabe que a vida já não se coaduna com uma carrinha e meia dúzia de trapos em viagem permanente pelo mundo, o Chakal resgata-nos e arrebata-nos. O rapaz é lindo e fala com cães, aliás com uma cadelinha à qual chama pulga. Tem humor que se farta. Qual Nigella....
~CC~
segunda-feira, novembro 29, 2010
Saltar uma estação
domingo, novembro 28, 2010
Manhã de Domingo
sexta-feira, novembro 26, 2010
Oficina das letras
quinta-feira, novembro 25, 2010
Um risco
quarta-feira, novembro 24, 2010
Pilar e José
terça-feira, novembro 23, 2010
SPA dois castelos
segunda-feira, novembro 22, 2010
Dias que fogem
Passeiam os olhos na água dos canais, nessa luz queria dissolver todas as sombras, guardar certos brindes a vinho vermelho e abraços quentes pela manhã fria.
segunda-feira, novembro 15, 2010
Erros meus...
domingo, novembro 14, 2010
Esperança
quinta-feira, novembro 11, 2010
Novembro.11
quarta-feira, novembro 10, 2010
Irmãs
segunda-feira, novembro 08, 2010
Das cidades e das serras
sábado, novembro 06, 2010
Beber gota a gota
terça-feira, novembro 02, 2010
Adeus
(que partiu a 31 de Outubro, pela mão das bruxas, espero que bruxas belas e fantásticas)
Eram as letras
dentro dos livros
onde segui pelos teus dedos
até à a montanha mágica, olhai os lírios no campo
toda a colecção Dois mundos
da editora Brasil,
RTP
e o dicionário ilustrado
com todas as palavras desta língua
esta que tão pouco usaríamos para dizer
amor
deixada feita silêncio
tantos e tantos anos
nas bocas cosidas de distância
algum ressentimento
passar o sal, o piri-piri, o açúcar
deixar os olhos lamber as mulheres roliças
fumar muito
mostrar a arma e a farda
amarrotá-la
sonhar-se em religiões alternativas
e como mestre de todas as multidões perdidas
e acabar como todos
pobre, humilde, triste
infinitamente carente e de todos dependente
e ainda assim melhor
mais sereno, mais doce, mais próximo
senhora morte que se aproximava
direi que o meu pai é aquele
que num lugar qualquer lá longe
estará disposto a traçar o horóscopo
a qualquer mulher bonita
preferencialmente loira
sim, era nosso pai
não, não deixou bens nem dinheiro
tinha o IRS feito e era já muito
e o que deixou é ar
a circular dentro do sangue
do nosso
mas ar de qualidade muito boa
apesar dos pulmões falidos
se é que pai é o nome que lhe posso chamar
mas sim deu-me o meu nome
este nome que gosto de dizer por ser belo
e ser a coisa mais minha que tenho
e sim porque a memória
tem lá dentro um colo perdido
que me deu na infância
e outro colo
que fui eu
a dar-lhe agora.
E adeus era na boca dele
uma passagem entre as vidas passadas
e as vidas futuras
pelo que voltará em breve
para piscar o olho
às mulheres loiras, um pouco roliças.
~CC~
sexta-feira, outubro 29, 2010
O melhor remédio
A mulher dos envelopes aproximou-se dela delicadamente para tirar lá de dentro os papéis e mostrar-lhe. E ela sorriu mais: dê-lhe mimos! A outra nada dizia, espantada com a papelada a mostrar o tamanho da infeccção. E então ela disse mais perto, mais baixo: sexo, faça sexo com ele, vai ver que ajuda. Não, psicóloga não era, essas não recomedam assim abertamente o que os doentes precisam, é preciso que eles cheguem lá uma quantas sessões depois, e por si próprios. A mulher dos envelopes não pareceu nada satisfeita com ao remédio recomendado, impossível comprar em qualquer farmácia e sem custos.~
Mariposa
amo-te
te quiero
je t'aime
i love you
te amoich lieberdich
cretcheu di meu
ahabib
(e em Quimbudo por saber dizer, algures na memória da minha infância deve existir um par abraçado).
~CC~
quarta-feira, outubro 27, 2010
Formigas, quem sabe cigarras escondidas
segunda-feira, outubro 25, 2010
domingo, outubro 24, 2010
Domingo mais
sexta-feira, outubro 22, 2010
Assombro
quarta-feira, outubro 20, 2010
Amargo(s)
Discutia-se, entre professores, os prémios que se atribuem aos alunos como forma de os distinguir por esta ou aquela coisa boa. E um deles diz: temos é que lhes dizer que o prémio não é um livro! Gargalhada geral.
terça-feira, outubro 19, 2010
Fragmentos
~CC~
domingo, outubro 17, 2010
Ouro azul
A sem se ver avisou, o dia certo já passou, mas nunca é tarde para lembrar.
Domingo luz e sombra
sexta-feira, outubro 15, 2010
quinta-feira, outubro 14, 2010
Observação dos dias (III)
quarta-feira, outubro 13, 2010
700.13
Afonso Dias
ver mais em: http://www3.cm-vfxira.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=30638Nota: foram 700 as vezes que me apeteceu escrever aqui.
terça-feira, outubro 12, 2010
Observação dos dias (II)
Os dias passam demasiado rápido. Só isso explica que tenha deixado passar Voando nos Equinócios. Nada afinal me apeteceria mais. E nenhuma coisa me causaria mais medo, esse medo que habita o desejo do impossível.
~CC~
Nota: Para os curiosos espreitar aqui. (ver Desporto, 9 e 10 Outubro)
Observação dos dias (I)
Saio muito cedo pela manhã. A paisagem é inevitavelmente composta por homens e mulheres que passeiam os seus cães. As ruas ficam logo imundas pela manhã cedo.
~CC~
segunda-feira, outubro 11, 2010
Laços apertados e deslaçados
domingo, outubro 10, 2010
Domingo de volta
quinta-feira, outubro 07, 2010
Terra
E não é um rosto perfeito, um corpo bonito, um arquitecto do saber, um encantador de palavras. É apenas uma alma grande, aberta ao mundo, tombando no equilibrio precário das coisas para se erguer árvore em qualquer Primavera. O que é forte e pode ser também frágil. O que sabe rir sabe chorar. Deixa-te ir, ser. Deixa-me ir, ser.
Imagino que sou terra onde podes morar. Se abrir bem os braços talvez te possa acordar para esses rios que te correm dentro, às vezes presos e outras fluindo a campo aberto, fertilizando as searas. Talvez te possa adormercer tranquilamente dentro do meu calor. Estás cansado.
Beijos primeiros. Beijos em primeiro.
Terra, este existir para existir mar.
~CC~
quarta-feira, outubro 06, 2010
Pessoas luz
Chama-me meu amor com uma doçura que me deixa sem palavras para lhe responder. Aquele meu amor já me trouxe uma lágrima (meu amor, hoje traz cara triste), mas a maior parte das vezes deixa-me sorridente (meu amor, não há água com gaz, beba da outra que lhe faz melhor). Já a vi sair do balcão para vir abraçar uma moça que chorava convulsivamente porque tinha vindo do Porto e não estava à espera de ver o pai inanimado nos cuidados intensivos. E esteve muito tempo abraçada a ela esquecida do balcão e nós à espera, mas numa espera solidária, silenciosa.
Brasil
Agora aparece Lula, sendo que este agora é tardio. Agora damos conta que ele existia porque está de saída e quer passar um legado. Dizem que o Brasil cresceu economicamente tendo como horizonte o povo e isso parece-nos impossível na era do capitalismo global. Ninguém pensa nos mais pobres em Angola ou na China, países que até há pouco ninguém colocava na esfera do capitalismo puro e duro. E Lula tinha elos duvidosos, deixava-se seduzir por ditadores com perfil revolucionário.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Praia
Saber sacudir a areia, ainda guardar as conchas.
~CC~


