sexta-feira, abril 08, 2011
Surpreendentes as manhãs
quinta-feira, abril 07, 2011
Breves os instantes
segunda-feira, abril 04, 2011
Da Lezíria
VALE (Teatro da Trindade, Domingo de há quinze dias)
Vi, sentada nas escadas do teatro a abarrotar, com os olhos abertos de espanto, que no fim estavam molhados, a lezíria inteira num palco.
Os bailarinos eram cavalos, bezerros, e bois, e estavam à solta no prado, em poses de zanga e namoro, mansos em dias de sol, e perturbados sempre que a tempestade lhes chegava ao sangue. Os corpos dos bailarinos eram a arte da transformação. E quando eles se vestiam, projectavam nas suas roupas, as imagens de uma terra toda ela um horizonte. Não estavam, porém, sós, os seus olhos que tinham ido ao vale, tinham deles trazido outras mãos, outros rostos, o verdadeiro povo da lezíria. Tinham dançado juntos, armando uma teia corpos perfeitos e corpos imperfeitos, num baile único pelo qual a banda puxava, como se de uma matiné de Domingo se tratasse.
sexta-feira, abril 01, 2011
Resgate
quarta-feira, março 30, 2011
sábado, março 26, 2011
Praça do Brasil
sexta-feira, março 25, 2011
Fora de moda
quarta-feira, março 23, 2011
Tons
em que o negro tem tons
e nos querem dizer que somos
as borboletas presas no casulo
e é só isso que está no semi círculo das gravatas
cinzento alinhado
variante de negro carregado
descemos e subimos avenidas
todas elas acabadas como rotundas
adornadas pelo artista da terra
se ao menos o teu grito e o meu
se tornassem esta primavera de papoilas
capaz de tingir meio universo
se ao menos o meu sonho e o teu
rasgassem a quietude das cores sufocantes
para trazer a lua a morar na terra
procuram-se horizontes
boletins de voto a tons de azul
sem partido e sem dono
outra casa.
~CC~
segunda-feira, março 21, 2011
Recado
Rasga da árvore o fresco do seu verde. Arranca do mar aquele sal que nos fica a cada banho. Deixa cair as lágrimas a cada negrume. E deixa o teu riso ser lume em certas manhãs. E até à tua morte nunca deixes de dar um beijo. Cola a tua alma as coisas. E festeja hoje a poesia.
domingo, março 20, 2011
Domingo no mundo
Assim enfrentarei melhor as tempestades dos dias, e as feridas que se abrem diante de mim, por vezes expostas nos olhos que quem passa, e de outras escancarada nos olhos de quem não nos vê do outro lado do mundo, mas que nós vemos ali, como se acordasse ao nosso lado. A dor é a dor, mesmo quando ela aparece em rostos japoneses sem lágrimas. De repente, eu sou a jovem que usou durante anos o crachá a dizer nuclear, não obrigado.
quarta-feira, março 16, 2011
Gemido no mundo
sábado, março 12, 2011
quinta-feira, março 10, 2011
O beijo da morte
Parecia ser um beijo inocente e bom, de alguém cujo rosto não lembro. Queria-o e desejava-o. Mas em vez de parar o beijo continuava e continuava como um selo que não me deixava respirar.
E eu tentava sem êxito separar-me daquela boca mortal.
Acordar foi o modo de não morrer.
~CC~
PS. Psicanalista precisa-se.
terça-feira, março 08, 2011
OIto
Todos os dias são meus.
segunda-feira, março 07, 2011
Perguntas inocentes (I)
sábado, março 05, 2011
Dia teu
E isto porque imitas na perfeição as rolas em cantos chamativos.
E isto porque é pelas tuas mãos que o calor chega tantas vezes.
E isto porque com esse calor se afastam sombras.
E fica um um dia mais claro.
Nasceste é é início de Primavera outra e outra vez.
~CC~
quarta-feira, março 02, 2011
Final incerto
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Contas
E com essa metade consigo evitar o afogamento.
Cerca de metade dessa metade desfaz-se perdida no modo como o sol vem acordar as flores.
E apenas com um quarto de dor até consigo uns belos sorrisos a cada manhã. E isso é muito mais que evitar o afogamento.
~CC~