terça-feira, fevereiro 15, 2011
sábado, fevereiro 05, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Final Tese(II)
Desde o Verão que não leio um livro de um autor fora do campo técnico ou científico. É verdade que leio muito, contudo, nada do que leio me abana, me leva, me muda.
(ai se os meus professores lessem este blogue!)
~CC~
(ai se os meus professores lessem este blogue!)
~CC~
Final Tese (I)
Passar pelas lojas e não me apetecer comprar nada. As coisas, se as toco, parecem-me vazias, como se as minhas mãos não as pudessem agarrar. Não querermos nada, haverá melhor modo de poupar.
~CC~
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Final tese
Os amigos ligam cada vez menos. E sentimos como dolorosa a sua falta, enquanto nos sabemos praticamente indisponíveis.
~CC~
Ética adolescente (II)
- O teu namorado é mesmo bonito, porra!
- É bonito é...infelizmente!
- Então porquê? Preferias que fosse feio?
- Queria era que fosse bonito só para mim!
~CC~
(Fertagus, ainda há pouco)
- É bonito é...infelizmente!
- Então porquê? Preferias que fosse feio?
- Queria era que fosse bonito só para mim!
~CC~
(Fertagus, ainda há pouco)
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Ética adolescente
- De quem eu gosto mesmo é daquela miúda que anda com o F.
- É pá...tens é que saber se eles são namorados ou só curtem!
- Achas que faz diferença?
- Então não...se só curtem podes avançar, és só mais um.
~CC~
(À porta da escola)
- É pá...tens é que saber se eles são namorados ou só curtem!
- Achas que faz diferença?
- Então não...se só curtem podes avançar, és só mais um.
~CC~
(À porta da escola)
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Esta vida
Entre os doze e os quinze falei com fantasmas, tratando-os por tu. Se me deitasse no escuro conseguia ouvir vozes que não sabia de onde vinham. Se me concentrasse muito em alguém conseguia saber o que estava a pensar. Vivia nesse limbo entre a sanidade e a pura loucura, ou seja, crente nos meus dons especiais. Precisava trabalhá-los, era o que me diziam.
Um dia esse mundo febril em que a minha pele era apenas o ecoar dos deuses e o meu coração a busca infinita da razão de estarmos aqui foi atravessado por doses extra de Marx, Reich, Bakunin, testando com o fogo da paixão uma religiosidade tecida com fios sobrenaturais e bebida da nobre herança paterna. O que não fazemos por um amor aos dezasseis anos. Foram-se os diálogos com os fantasmas e um futuro brilhante como sensitiva, tudo apagado pelas carícias terrenas nos jardins públicos da cidade.
Ainda assim sobrou-me o suficiente da loucura adolescente para deixar-me tocar por Hereafter, para perceber que o amor na sua força máxima só pode rejeitar a morte. E, contudo, os mortos pedem o seu descanso, nós é que não podemos, não conseguimos.
~CC~
sexta-feira, janeiro 28, 2011
quarta-feira, janeiro 26, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
Ver
Diz-me o que vês nesse espelho.
(Dou-lhes o espelho)
E eles respondem: vejo que os outros são feios.
(Os outros, mas como os vês nesse espelho onde está o teu rosto? É de ti que te peço para falar)
E eles respondem: o meu rosto, sim, tem uns pequenos defeitos
(Abre mais os olhos, fala-me também da tua beleza, e do que que não é belo, mas podes torná-lo belo, é essa a arte mais bela, a da transformação)
E continuamos um difícil diálogo sobre os sentidos.
(Dou-lhes o espelho)
E eles respondem: vejo que os outros são feios.
(Os outros, mas como os vês nesse espelho onde está o teu rosto? É de ti que te peço para falar)
E eles respondem: o meu rosto, sim, tem uns pequenos defeitos
(Abre mais os olhos, fala-me também da tua beleza, e do que que não é belo, mas podes torná-lo belo, é essa a arte mais bela, a da transformação)
E continuamos um difícil diálogo sobre os sentidos.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cafés (I)
-Todos os transportes públicos são bons para a aprendizagem da vida. Os cafés também-
Ela casou com ele porque queria alguém para passear, já tinha perto de 70 anos mas ninguém a segurava em casa. Veja você ou eu. Nós somos capazes de ficar em casa a bordar, a fazer uma costura, a ver televisão. Ela não, ela só pensava em viajar, e não era para sítios baratos.
(espanto da outra mulher, num "aí era?)
Mas ele era mais novo, queria outras coisas. E ela era rica e ele pobre. E ela não se deixou ir na conversa e casou com total separação de bens, eu nunca tinha ido a um casamento assim, com separação total de bens. E quando começou a perceber que ele a roubava, custou-lhe muito. Custou-lhe muito, mas não demorou a pôr-lhe as malas à porta. Ela com 70 anos mandou embora um homem com menos vinte!
(ai sim?)
~CC~
domingo, janeiro 23, 2011
Ao engano
A erosão da nossa implicação na vida social e política leva a que até a tristeza já não seja a mesma nas noites em que os outros vencem. Esta era, aliás, tristeza anunciada, e talvez por isso me chegou como uma gripe depois da vacina tomada.
Ainda assim, não deixo de me perguntar sobre quem é este povo, que distrito a distrito, sem nenhuma excepção, se deixa enganar.
~CC~
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Produto apreendido
São raras as vezes que os cidadãos se sentem protegidos pelo Estado, sobretudo quando o nome do cidadão é um nome vulgar, cujo apelido não se conjuga com os verbos do poder. Não é portanto pelo prejuizo que a empresa de parquímetros da minha cidade terá que estou satisfeita, mas sim pelo facto de o querem ganhar de forma ilegítima, taxando o valor minímo da cobrança acima do que a lei permitia. Desconheço quem o fez, mas quem quer que seja demostrou que por vezes protestar vale a pena. E por cada protesto válido e ganho deviam nascer mais vinte.
Nunca tinha visto parquímetros cobertos de plástico preto com uma fita amarela a dizer: produto apreendido. E estão assim por toda a baixa da cidade, vale a pena a visita cívica. E há ainda este estuário, quando chega um pouqinho de sol, é um dos mais belos.
~CC~
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Em observação (II)
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Pequenos nadas
Aparentemente tudo normal. Saio do carro manhã cedo e procuro o casaco. Olho para o banco de lado e para o banco de trás e nada. Saí sem casaco e nem dei por isso. Agora só me resta atravessar o nevoeiro assim. Aparentemente tudo normal.
(repara que é bem diferente de o vestir ao contrário, como é hábito)
É estranho mas nem tenho frio, aliás nem me sinto. Qualquer dia saio fora de água, dou à costa numa praia do sul, e deixo-me estar quieta ao sol. Qualquer dia sinto-me, paro para escutar o meu coração, arrisco o perigo.
É estranho mas nem tenho frio, aliás nem me sinto. Qualquer dia saio fora de água, dou à costa numa praia do sul, e deixo-me estar quieta ao sol. Qualquer dia sinto-me, paro para escutar o meu coração, arrisco o perigo.
~CC~
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Poeira quente
Apetecia poder viajar como uma poeira nocturna capaz de se transformar em beijo nos teus lábios, aquecer o teu corpo com a nudez do meu, limpar-te o cansaço nostálgico que habita o primeiro dia de trabalho da semana. Pergunto-me tantas vezes, contudo, se teria abraços todas as Segundas. Mas hoje tenho. E também este desejo de transporte do meu calor por este rio da minha cidade até à maré daquela praia, a praia mais pobre e mais triste desse Algarve quase todo assim. E não obstante, um dia a nossa praia.
~CC~
domingo, janeiro 16, 2011
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Há mais de vinte anos
Devemos pensar duas vezes quando alguém nos propõe regressar aos nossos vinte anos. Quando alguém nos propõe falar do nosso mestre e do que a sua voz nos fez quando ainda não tínhamos acabado de crescer, quando o nosso corpo era um vime, o nosso coração um peso superior a nós e a nossa cabeça um turbilhão por minuto.
Fui inocente, fui sem pensar.
E só agora que a tarde já dá lugar à noite me apetece chorar.
Dizes que chegámos lá pelo acaso, que os dez que entrevistaste para a tua investigação te disseram isso. E que todos disseram que depois daquilo não voltaram a ser os mesmos.
Eu era a miúda triste e pobre, com duas tranças e os dentes já a apodrecer, um destino nada azul pela frente. Ninguém hoje acredita que eu era assim, mas era.
Mas explodia cá dentro, como ainda hoje.
~CC~
terça-feira, janeiro 11, 2011
Tarde interrompida
Dia cronometrado ao segundo, uma quase impossibilidade de tudo cumprir. Andando rápido por estradas secundárias, o coração preso a tudo o que não consigo fazer. Mais adiante um carro parado, nenhum sinal à vista, problemas por certo.
Mas era apenas um enorme rebanho de ovelhas silenciosas, calmas, enormes, rompendo a estrada que tinha cortado em dois o seu pasto antigo. E um moço novo, bonito, igualmente calmo, e dois cães a sorrir. Exceptuando o facto de seguirem sem hesitar o caminho uns dos outros, são eles que estão certos.
~CC~
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