quinta-feira, dezembro 16, 2010
Baloiço, balanço...
em que morreu uma parte de mim
que ainda desconhecia
um pai acabado de chegar
Foi este em que por quase nada
te perdi no sufoco
de seres gato e eu lebre e eu cabra
no Agosto mais quente da memória
Este foi o ano
em que o quase foi sempre
a palavra ao pé da boca
trava-línguas amargo-doce
Quase arranjei um amigo
suave e sensível
uma noite de Verão que prometia estrelas
mas se escondia delas se fossem cadentes
Quase acabei uma tese
mas mastiguei-a demais
e está enroscada entre o coração pardo
e a garganta rouca
Este foi o ano
do seu crescimento maior
a minha roupa deixou de servir
e a dela é sempre pouca
Soube também dessa fatalidade
O mundo está em crise
e ela é bem maior que a minha
cujas sombras sucumbem na Primavera
Foi este em que quase fui feliz
mas nisso foi igual a tantos outros
um quase brilho sempre a fugir
e eu em mergulho atrás dele
E é cedo ainda
nem chegámos ao Natal
e eu já de volta das passas.
Deve ser essa explicaçao do quase.
~CC~
PS. Sabias que as estrelas cadentes são também conhecidas como “lágrimas de São Lourenço”?
(ver aqui)
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O frio a sul
segunda-feira, dezembro 13, 2010
As três vidas
Uma mulher e três vidas, só na última um sopro de amor. Marcada pelos maus olhados cunhados nos mistérios com que o mundo rural olha para a vida, o azar chega-lhe pelo nascimento. Será a única rapariga entre rapazes, e apesar de muito pequena, é forte como uma vara que o vento é incapaz de quebrar. A tudo resistirá e ainda fará fortuna.
É espantosa a forma como o Teatro Mosca conta a história dela, com elementos cenográficos simples mas eficazes, um conjunto de bocados de madeira que se articulam para fazer mesas, montes, casas, abrigos. Actores muito novos, muito bons. Uma actriz a registar, de uma segurança absoluta na contenção da dor, um rosto permeável, capaz de se deixar escrever a todas as emoções. Dizem que ganharam um prémio em França, fico a pensar como será mais difícil que o ganhem aqui.
De Sintra para Faro, da Mosca para o CAPA, fora dos roteiros onde a mundanidade se constrói em círculo. É como ir ao cineclube em vez de ir ao cinema do centro comercial. É respirar outro ar. Infelizmente são estes, os melhores, os menos conhecidos, que costuma tombar com as crises. As telenovelas essas continuam. O bairro alto também.
Mas há mais vidas, como com Lucie, um dia as pequenas coisas trinfurão, não por serem pequenas, mas por habitarem a singularidade do espectáculo fora do espectáculo.
~CC~
domingo, dezembro 12, 2010
Vitamina certa
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Resistir, ainda crescer
Falo pelas escolas onde ando, por aquelas com quem colaboro, por quem vou tecendo a admiração que nasce de muitos buracos negros, que sobrevive do desespero, e quantas vezes do meu próprio desespero. O que é diferente agora? O que é diferente do tempo em que eu andei na escola? Diferente é apenas isto: juntamo-nos, fazemos perguntas, não aceitamos o abandono, a desistência, o insucesso. E se sabemos que a escola não pode fazer tudo, pensamos sempre que pode fazer alguma coisa.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
A melhor fuga
terça-feira, dezembro 07, 2010
A suster as marés
domingo, dezembro 05, 2010
Livro do futuro
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Ela e Ele
Imagem retirada de: http://sic.sapo.pt/online/entretenimento/chakall-e-pulgaBem mais ousado do que a Nigella, o Chakal tornou uma carripana uma cozinha ambulante movida a energia solar e deixou-se de lugares televisivos imaculados. Ele aí vai por essa estrada fora à procura dos produtores locais, e do que cada região tem de melhor, não para imitar as receitas antigas mas para as transformar com o toque de quem mistura antigo e moderno em banho-maria. Uma galinha cerejada na serra do Caldeirão é galinha com figos e amêndoas e uma tarte de maçã passa a ser de medronho. Para quem tem no sangue a nostalgia dos anos 60 mas sabe que a vida já não se coaduna com uma carrinha e meia dúzia de trapos em viagem permanente pelo mundo, o Chakal resgata-nos e arrebata-nos. O rapaz é lindo e fala com cães, aliás com uma cadelinha à qual chama pulga. Tem humor que se farta. Qual Nigella....
~CC~
segunda-feira, novembro 29, 2010
Saltar uma estação
domingo, novembro 28, 2010
Manhã de Domingo
sexta-feira, novembro 26, 2010
Oficina das letras
quinta-feira, novembro 25, 2010
Um risco
quarta-feira, novembro 24, 2010
Pilar e José
terça-feira, novembro 23, 2010
SPA dois castelos
segunda-feira, novembro 22, 2010
Dias que fogem
Passeiam os olhos na água dos canais, nessa luz queria dissolver todas as sombras, guardar certos brindes a vinho vermelho e abraços quentes pela manhã fria.
segunda-feira, novembro 15, 2010
Erros meus...
domingo, novembro 14, 2010
Esperança
quinta-feira, novembro 11, 2010
Novembro.11
quarta-feira, novembro 10, 2010
Irmãs
segunda-feira, novembro 08, 2010
Das cidades e das serras
sábado, novembro 06, 2010
Beber gota a gota
terça-feira, novembro 02, 2010
Adeus
(que partiu a 31 de Outubro, pela mão das bruxas, espero que bruxas belas e fantásticas)
Eram as letras
dentro dos livros
onde segui pelos teus dedos
até à a montanha mágica, olhai os lírios no campo
toda a colecção Dois mundos
da editora Brasil,
RTP
e o dicionário ilustrado
com todas as palavras desta língua
esta que tão pouco usaríamos para dizer
amor
deixada feita silêncio
tantos e tantos anos
nas bocas cosidas de distância
algum ressentimento
passar o sal, o piri-piri, o açúcar
deixar os olhos lamber as mulheres roliças
fumar muito
mostrar a arma e a farda
amarrotá-la
sonhar-se em religiões alternativas
e como mestre de todas as multidões perdidas
e acabar como todos
pobre, humilde, triste
infinitamente carente e de todos dependente
e ainda assim melhor
mais sereno, mais doce, mais próximo
senhora morte que se aproximava
direi que o meu pai é aquele
que num lugar qualquer lá longe
estará disposto a traçar o horóscopo
a qualquer mulher bonita
preferencialmente loira
sim, era nosso pai
não, não deixou bens nem dinheiro
tinha o IRS feito e era já muito
e o que deixou é ar
a circular dentro do sangue
do nosso
mas ar de qualidade muito boa
apesar dos pulmões falidos
se é que pai é o nome que lhe posso chamar
mas sim deu-me o meu nome
este nome que gosto de dizer por ser belo
e ser a coisa mais minha que tenho
e sim porque a memória
tem lá dentro um colo perdido
que me deu na infância
e outro colo
que fui eu
a dar-lhe agora.
E adeus era na boca dele
uma passagem entre as vidas passadas
e as vidas futuras
pelo que voltará em breve
para piscar o olho
às mulheres loiras, um pouco roliças.
~CC~
sexta-feira, outubro 29, 2010
O melhor remédio
A mulher dos envelopes aproximou-se dela delicadamente para tirar lá de dentro os papéis e mostrar-lhe. E ela sorriu mais: dê-lhe mimos! A outra nada dizia, espantada com a papelada a mostrar o tamanho da infeccção. E então ela disse mais perto, mais baixo: sexo, faça sexo com ele, vai ver que ajuda. Não, psicóloga não era, essas não recomedam assim abertamente o que os doentes precisam, é preciso que eles cheguem lá uma quantas sessões depois, e por si próprios. A mulher dos envelopes não pareceu nada satisfeita com ao remédio recomendado, impossível comprar em qualquer farmácia e sem custos.~
Mariposa
amo-te
te quiero
je t'aime
i love you
te amoich lieberdich
cretcheu di meu
ahabib
(e em Quimbudo por saber dizer, algures na memória da minha infância deve existir um par abraçado).
~CC~
quarta-feira, outubro 27, 2010
Formigas, quem sabe cigarras escondidas
segunda-feira, outubro 25, 2010
domingo, outubro 24, 2010
Domingo mais
sexta-feira, outubro 22, 2010
Assombro
quarta-feira, outubro 20, 2010
Amargo(s)
Discutia-se, entre professores, os prémios que se atribuem aos alunos como forma de os distinguir por esta ou aquela coisa boa. E um deles diz: temos é que lhes dizer que o prémio não é um livro! Gargalhada geral.
terça-feira, outubro 19, 2010
Fragmentos
~CC~
domingo, outubro 17, 2010
Ouro azul
A sem se ver avisou, o dia certo já passou, mas nunca é tarde para lembrar.
Domingo luz e sombra
sexta-feira, outubro 15, 2010
quinta-feira, outubro 14, 2010
Observação dos dias (III)
quarta-feira, outubro 13, 2010
700.13
Afonso Dias
ver mais em: http://www3.cm-vfxira.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=30638Nota: foram 700 as vezes que me apeteceu escrever aqui.
terça-feira, outubro 12, 2010
Observação dos dias (II)
Os dias passam demasiado rápido. Só isso explica que tenha deixado passar Voando nos Equinócios. Nada afinal me apeteceria mais. E nenhuma coisa me causaria mais medo, esse medo que habita o desejo do impossível.
~CC~
Nota: Para os curiosos espreitar aqui. (ver Desporto, 9 e 10 Outubro)
Observação dos dias (I)
Saio muito cedo pela manhã. A paisagem é inevitavelmente composta por homens e mulheres que passeiam os seus cães. As ruas ficam logo imundas pela manhã cedo.
~CC~
segunda-feira, outubro 11, 2010
Laços apertados e deslaçados
domingo, outubro 10, 2010
Domingo de volta
quinta-feira, outubro 07, 2010
Terra
E não é um rosto perfeito, um corpo bonito, um arquitecto do saber, um encantador de palavras. É apenas uma alma grande, aberta ao mundo, tombando no equilibrio precário das coisas para se erguer árvore em qualquer Primavera. O que é forte e pode ser também frágil. O que sabe rir sabe chorar. Deixa-te ir, ser. Deixa-me ir, ser.
Imagino que sou terra onde podes morar. Se abrir bem os braços talvez te possa acordar para esses rios que te correm dentro, às vezes presos e outras fluindo a campo aberto, fertilizando as searas. Talvez te possa adormercer tranquilamente dentro do meu calor. Estás cansado.
Beijos primeiros. Beijos em primeiro.
Terra, este existir para existir mar.
~CC~
quarta-feira, outubro 06, 2010
Pessoas luz
Chama-me meu amor com uma doçura que me deixa sem palavras para lhe responder. Aquele meu amor já me trouxe uma lágrima (meu amor, hoje traz cara triste), mas a maior parte das vezes deixa-me sorridente (meu amor, não há água com gaz, beba da outra que lhe faz melhor). Já a vi sair do balcão para vir abraçar uma moça que chorava convulsivamente porque tinha vindo do Porto e não estava à espera de ver o pai inanimado nos cuidados intensivos. E esteve muito tempo abraçada a ela esquecida do balcão e nós à espera, mas numa espera solidária, silenciosa.
Brasil
Agora aparece Lula, sendo que este agora é tardio. Agora damos conta que ele existia porque está de saída e quer passar um legado. Dizem que o Brasil cresceu economicamente tendo como horizonte o povo e isso parece-nos impossível na era do capitalismo global. Ninguém pensa nos mais pobres em Angola ou na China, países que até há pouco ninguém colocava na esfera do capitalismo puro e duro. E Lula tinha elos duvidosos, deixava-se seduzir por ditadores com perfil revolucionário.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Praia
Saber sacudir a areia, ainda guardar as conchas.
~CC~
quinta-feira, setembro 30, 2010
Banhos de silêncio
quarta-feira, setembro 29, 2010
Das cores
Imagem retirada de: http://www.topearl.com/pimages/Coral_Color_shell%20pearls.jpgterça-feira, setembro 28, 2010
Da minha árvore
segunda-feira, setembro 27, 2010
Nada menos que muito
~CC~
domingo, setembro 26, 2010
Domingo
Para uma flor
Estou aqui, estarei aqui.
Gosto muito de ti.
Parabéns flor.
~CC~
sexta-feira, setembro 24, 2010
Ausência
passavam laranjas leves doces
voando pelo azul da praia de Pemba
estavas longe e eu tinha-te
Tinham sumo os teus lábios
um doce sussurrar
que parecia um manto
que vinha levar-me os meus anjos negros
Nem te tocava
Mas a tua voz chegava
para enrolar as insónias
levá-las de mim
Esse era outro de ti
alguém que já partiu
como se alguém agora usasse o teu corpo
e a tua voz
e não és já tu
E se voltas ao teu corpo
e usas a voz que tinhas
é só por um instante
é um breve atear de sorrisos
uma chama que não se aguenta no pavio
e não consigo soprar mais
dar-lhe gás
e na tua presença
tenho saudades de ti
o amor pode assim partir
quando alguém parte de si.
arrepio-me sozinha com a palavra rapaz.
~CC~
quarta-feira, setembro 22, 2010
A loiça
Todos os anos nesta data digo que vou guardar o que dele resta como memória preciosa do dia do meu nascimento. Mas depois penso que o melhor é deixá-lo por aí, porque o que dele restar já não é só o vidro de que é feito, mas a prova do tempo. Como ele, também prefiro pensar em mim como alguém que o vento levou até ao coração de algumas pessas, e que os pedaços que repousam são sementes que a seu modo próprio modo germinarão.
terça-feira, setembro 21, 2010
Noites brancas
São as trevas e a luz que dançam comigo por estes dias, uma e outra batalhando em segundos, minutos e horas para ver quem ganha.
segunda-feira, setembro 20, 2010
Luz
domingo, setembro 19, 2010
sábado, setembro 18, 2010
"Expulsão voluntária"
"Monsieur, monsieur...
sexta-feira, setembro 17, 2010
Descaminhos
quinta-feira, setembro 16, 2010
Constatações
O coração é papel
o coração não morre
quarta-feira, setembro 15, 2010
Lugares onde ir (II)
FESTIVAL DE MÉRIDA • Diocles, 1 - 06800 Mérida
Tel. 924 009 480 Info: 924 004 930
oficina@festivaldemerida.es • http://www.festivaldemerida.es/
terça-feira, setembro 14, 2010
Outra
Sim, já sei. Não é um modo de um ser humano viver.
Mas precisava.
Ou então de um vento doce, que me desse vontade de ser um guarda-rios. Quem me dera andar de asas a visitar todos os rios um por um, fazer-lhes as curvas. As curvas dos rios sempre me interessaram.
Outra coisa que não pele exposta.
~CC~
segunda-feira, setembro 13, 2010
Cheiro a papel novo
Há coisas que nos tentam, por exemplo o cheiro a papel de um livro novo, pronto a sair da gráfica.
http://quetzal.blogs.sapo.pt/229382.html
Dos dias
domingo, setembro 12, 2010
Mensagens na neve
Todos procuramos amigos assim, capazes de nos fazer rir e de nos limpar as lágrimas. Não precisam de ser muitos nem de estar sempre connosco, é a confiança a base de todos os elos.
Dois homens tão improváveis bebendo conhaque para derreter a neve.
~CC~
(nas sessões da tarde de Domingo as pessoas vão sozinhas ao cinema, e são muito poucas, olham a solidão umas das outras com uma simpatia envergonhada)
A pomba da pata partida
Não era um homem mau, ninguém se queixava verdadeiramente de uma ofensa sem remédio, de um mal sem um pedido de desculpa, e era possível recordar um gesto de carinho, um braço que tinha posto sobre os ombros dos filhos, uma mão dada à mulher, umas das muitas mulheres que teve.
A ambiguidade do que se sentia por ele era tremenda, e atirava-nos a nós, mais do que a ele, para um lugar escuro, uma espécie de beco sem saída. A vontade de bater a porta e não mais voltar era grande, mas voltaríamos sempre, porque o que fazíamos já não era por ele mas por nós, para calar culpas e remorsos futuros.
Comigo tudo era pior. Em parte por causa da pomba da pata partida. A história que ele me tinha contado num daqueles dias mais dificeis, quando ainda morava naquela que tinha sido a sua casa. Um intelectual, um antigo coronel, um homem do poder, um mestre espiritual não alimenta pombas no jardim ou na praça, e por isso ele fazia-o na sua varanda. E murmurava num daqueles regressos do hospital: que será das minhas pombas...E a da pata partida, aquela que me vinha comer à mão, aquela que eu protegia, afastando todas as outras...nunca a deixavam comer. Pensei que se tratava de um delírio de doente. A compaixão era um sentimento que não lhe assentava.
Mas quando tirei tudo da casa, sem tocar na varanda horrivelmente suja das pombas, ainda olhei a ver se a via. E pensei nela, na pomba da pata partida, entregue agora a uma luta mais dura. E por causa dela, um rombo no meu coração, esse que eu julgava de todo protegido dele e do que pensara ser o seu desamor de toda uma vida.
sábado, setembro 11, 2010
Lugares a ir (I)
"Afinal, somos filhos dos Flagelados do Vento Leste. Todos os anos morremos com as dificuldades mas ressuscitamos com os novos desafios que enfrentamos".imagem e frase de: http://www.mindelact.com/welcome.html
quinta-feira, setembro 09, 2010
Fotossíntese
Gosto dele desde Nenhum Olhar, mesmo lhe reconhecendo obras maiores e outras menores, o que só lhe fica bem, torna-o o ser humano que é. E às vezes apanho-lhe as palavras por aí.
"Amar é um esforço intelectual. E quando se ama muito e só, sem espaços de sombra, transformamo-nos num sol. As plantas vivas dependem dessa estrela para chegarem à fotossíntese. Chamem-me hippy, chamem-me o que quiserem. Em qualquer dos casos, continuarei a saber de cor a letra do Something to believe in, Ramones, 1986.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Raízes
Mas ontem deram-me em segredo, baixinho, um convite. E creio que a ninguém ele podera ter comovido como aconteceu comigo. Na verdade um simples convite para a festa de aniversário de um bar/restaurante, qualquer coisa para clientes, tudo banal. Mas à saída ela sorriu e disse: quero-vos cá às duas! (pois, a miúda cresceu). Creio que só as pessoas sem raízes se comovem quando as agarram à terra, grande parte das outras até sente as raízes como uma prisão.
Mas eu pensei: se eu me dissolver, afinal darão conta disso.
terça-feira, setembro 07, 2010
Água
E em Cabo Verde aprendi a ver nos rostos das pessoas a tristeza da sua ausência, a saudade com que falavam de antigos rios e ribeiras. Não consigo conceber um país de rios secos, um lugar sem água doce.
Estas gotas foram uma bela variação às lágrimas de Verão, menos salgadas e sobretudo sem peso de mágoas. Nem pareciam chegar ao chão, antes voar livres de peso.
Agora pode vir sol, ainda tenho uns banhos de rio ou de mar para tomar.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Para sempre
Setembro
sexta-feira, setembro 03, 2010
Uma palavra
terça-feira, agosto 17, 2010
Já vou
FECHADO
segunda-feira, agosto 16, 2010
Fora de moda
sábado, agosto 14, 2010
Jogos de sorte e azar
Fechado por tempo indeterminado
e assim abandonar todas as palavras
numa despedida sem compromisso
Penso em ir à tua procura
à minha procura
num lugar que já não existe
nenhum de nós existe já
O silêncio é esse sinal
de um adeus a várias dimensões
de uma partida sem retorno
depois de um tempo de encontro.
Pensamos em coisas absurdas
e mágicas
quando a tristeza nos vem dominar
nas noites de sábado
Pensamos que queremos tudo o que deixámos
e não o queremos já
Pensamos num outro futuro
mas só há vazio quando o pensamos
Pensamos em tudo o que deixamos
quando escolhemos
e que queríamos voltar atrás
escolher outra vez
Escolher outra vez
marcar outras cruzes nos quadrados
onde se escondem os trevos de quatro folhas
os luares encantados
Mas sabemos que nunca nos estará reservado o euromilhões
Que a nossa vida
Esta curta e longa vida
só tem mealheiros de bairro de feira.
~CC~
sexta-feira, agosto 13, 2010
Três peras
terça-feira, agosto 10, 2010
A mulher sem ondas
domingo, agosto 08, 2010
As ondas à noite
-Pai, é verdade que a praia está aberta de noite?
- Sim, nunca fecha.
- E há pessoas que tomam banho à noite?
- Quase nenhumas, faz frio.
- E de que cor são as ondas à noite?
Silêncio do pai
Silêncio do menino
Fico a pensar: Ali está um menino que irá gostar de poesia.
~CC~
sábado, agosto 07, 2010
Agosto (III)
quinta-feira, agosto 05, 2010
Muros brancos
segunda-feira, agosto 02, 2010
Agosto (I)
milhares de letras em equilíbrio instável
Como te escreveste tantos anos
anos e anos a fio
Tantas palavras
Um vazio tão grande
Um amargo tão intenso
Quero ver tudo
Não quero ver nada
Um risco
Tu não existes
Mas estás aqui
Mais que nunca estás aqui.
~CC~



