terça-feira, janeiro 25, 2011
Ver
(Dou-lhes o espelho)
E eles respondem: vejo que os outros são feios.
(Os outros, mas como os vês nesse espelho onde está o teu rosto? É de ti que te peço para falar)
E eles respondem: o meu rosto, sim, tem uns pequenos defeitos
(Abre mais os olhos, fala-me também da tua beleza, e do que que não é belo, mas podes torná-lo belo, é essa a arte mais bela, a da transformação)
E continuamos um difícil diálogo sobre os sentidos.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cafés (I)
domingo, janeiro 23, 2011
Ao engano
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Produto apreendido
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Em observação (II)
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Pequenos nadas
É estranho mas nem tenho frio, aliás nem me sinto. Qualquer dia saio fora de água, dou à costa numa praia do sul, e deixo-me estar quieta ao sol. Qualquer dia sinto-me, paro para escutar o meu coração, arrisco o perigo.
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Poeira quente
domingo, janeiro 16, 2011
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Há mais de vinte anos
terça-feira, janeiro 11, 2011
Tarde interrompida
domingo, janeiro 09, 2011
Resistência
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Estas coisas que se desejam (II)
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Estas coisas que se desejam (I)
domingo, janeiro 02, 2011
Regresso
(cresci com ele como uma segunda pele).
Regressou e não sei que vos dizer dele, parece cansado e aninho-o em mim. Regressou e não sei que vos dizer dele, parece um fardo que se soterra em mim.
~CC~
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Um a sumir-se, outro a aparecer
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Cheiro a canela
terça-feira, dezembro 21, 2010
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Baloiço, balanço...
em que morreu uma parte de mim
que ainda desconhecia
um pai acabado de chegar
Foi este em que por quase nada
te perdi no sufoco
de seres gato e eu lebre e eu cabra
no Agosto mais quente da memória
Este foi o ano
em que o quase foi sempre
a palavra ao pé da boca
trava-línguas amargo-doce
Quase arranjei um amigo
suave e sensível
uma noite de Verão que prometia estrelas
mas se escondia delas se fossem cadentes
Quase acabei uma tese
mas mastiguei-a demais
e está enroscada entre o coração pardo
e a garganta rouca
Este foi o ano
do seu crescimento maior
a minha roupa deixou de servir
e a dela é sempre pouca
Soube também dessa fatalidade
O mundo está em crise
e ela é bem maior que a minha
cujas sombras sucumbem na Primavera
Foi este em que quase fui feliz
mas nisso foi igual a tantos outros
um quase brilho sempre a fugir
e eu em mergulho atrás dele
E é cedo ainda
nem chegámos ao Natal
e eu já de volta das passas.
Deve ser essa explicaçao do quase.
~CC~
PS. Sabias que as estrelas cadentes são também conhecidas como “lágrimas de São Lourenço”?
(ver aqui)
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O frio a sul
segunda-feira, dezembro 13, 2010
As três vidas
Uma mulher e três vidas, só na última um sopro de amor. Marcada pelos maus olhados cunhados nos mistérios com que o mundo rural olha para a vida, o azar chega-lhe pelo nascimento. Será a única rapariga entre rapazes, e apesar de muito pequena, é forte como uma vara que o vento é incapaz de quebrar. A tudo resistirá e ainda fará fortuna.
É espantosa a forma como o Teatro Mosca conta a história dela, com elementos cenográficos simples mas eficazes, um conjunto de bocados de madeira que se articulam para fazer mesas, montes, casas, abrigos. Actores muito novos, muito bons. Uma actriz a registar, de uma segurança absoluta na contenção da dor, um rosto permeável, capaz de se deixar escrever a todas as emoções. Dizem que ganharam um prémio em França, fico a pensar como será mais difícil que o ganhem aqui.
De Sintra para Faro, da Mosca para o CAPA, fora dos roteiros onde a mundanidade se constrói em círculo. É como ir ao cineclube em vez de ir ao cinema do centro comercial. É respirar outro ar. Infelizmente são estes, os melhores, os menos conhecidos, que costuma tombar com as crises. As telenovelas essas continuam. O bairro alto também.
Mas há mais vidas, como com Lucie, um dia as pequenas coisas trinfurão, não por serem pequenas, mas por habitarem a singularidade do espectáculo fora do espectáculo.
~CC~