domingo, outubro 10, 2010
Domingo de volta
quinta-feira, outubro 07, 2010
Terra
E não é um rosto perfeito, um corpo bonito, um arquitecto do saber, um encantador de palavras. É apenas uma alma grande, aberta ao mundo, tombando no equilibrio precário das coisas para se erguer árvore em qualquer Primavera. O que é forte e pode ser também frágil. O que sabe rir sabe chorar. Deixa-te ir, ser. Deixa-me ir, ser.
Imagino que sou terra onde podes morar. Se abrir bem os braços talvez te possa acordar para esses rios que te correm dentro, às vezes presos e outras fluindo a campo aberto, fertilizando as searas. Talvez te possa adormercer tranquilamente dentro do meu calor. Estás cansado.
Beijos primeiros. Beijos em primeiro.
Terra, este existir para existir mar.
~CC~
quarta-feira, outubro 06, 2010
Pessoas luz
Chama-me meu amor com uma doçura que me deixa sem palavras para lhe responder. Aquele meu amor já me trouxe uma lágrima (meu amor, hoje traz cara triste), mas a maior parte das vezes deixa-me sorridente (meu amor, não há água com gaz, beba da outra que lhe faz melhor). Já a vi sair do balcão para vir abraçar uma moça que chorava convulsivamente porque tinha vindo do Porto e não estava à espera de ver o pai inanimado nos cuidados intensivos. E esteve muito tempo abraçada a ela esquecida do balcão e nós à espera, mas numa espera solidária, silenciosa.
Brasil
Agora aparece Lula, sendo que este agora é tardio. Agora damos conta que ele existia porque está de saída e quer passar um legado. Dizem que o Brasil cresceu economicamente tendo como horizonte o povo e isso parece-nos impossível na era do capitalismo global. Ninguém pensa nos mais pobres em Angola ou na China, países que até há pouco ninguém colocava na esfera do capitalismo puro e duro. E Lula tinha elos duvidosos, deixava-se seduzir por ditadores com perfil revolucionário.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Praia
Saber sacudir a areia, ainda guardar as conchas.
~CC~
quinta-feira, setembro 30, 2010
Banhos de silêncio
quarta-feira, setembro 29, 2010
Das cores
Imagem retirada de: http://www.topearl.com/pimages/Coral_Color_shell%20pearls.jpgterça-feira, setembro 28, 2010
Da minha árvore
segunda-feira, setembro 27, 2010
Nada menos que muito
~CC~
domingo, setembro 26, 2010
Domingo
Para uma flor
Estou aqui, estarei aqui.
Gosto muito de ti.
Parabéns flor.
~CC~
sexta-feira, setembro 24, 2010
Ausência
passavam laranjas leves doces
voando pelo azul da praia de Pemba
estavas longe e eu tinha-te
Tinham sumo os teus lábios
um doce sussurrar
que parecia um manto
que vinha levar-me os meus anjos negros
Nem te tocava
Mas a tua voz chegava
para enrolar as insónias
levá-las de mim
Esse era outro de ti
alguém que já partiu
como se alguém agora usasse o teu corpo
e a tua voz
e não és já tu
E se voltas ao teu corpo
e usas a voz que tinhas
é só por um instante
é um breve atear de sorrisos
uma chama que não se aguenta no pavio
e não consigo soprar mais
dar-lhe gás
e na tua presença
tenho saudades de ti
o amor pode assim partir
quando alguém parte de si.
arrepio-me sozinha com a palavra rapaz.
~CC~
quarta-feira, setembro 22, 2010
A loiça
Todos os anos nesta data digo que vou guardar o que dele resta como memória preciosa do dia do meu nascimento. Mas depois penso que o melhor é deixá-lo por aí, porque o que dele restar já não é só o vidro de que é feito, mas a prova do tempo. Como ele, também prefiro pensar em mim como alguém que o vento levou até ao coração de algumas pessas, e que os pedaços que repousam são sementes que a seu modo próprio modo germinarão.
terça-feira, setembro 21, 2010
Noites brancas
São as trevas e a luz que dançam comigo por estes dias, uma e outra batalhando em segundos, minutos e horas para ver quem ganha.
segunda-feira, setembro 20, 2010
Luz
domingo, setembro 19, 2010
sábado, setembro 18, 2010
"Expulsão voluntária"
"Monsieur, monsieur...
sexta-feira, setembro 17, 2010
Descaminhos
quinta-feira, setembro 16, 2010
Constatações
O coração é papel
o coração não morre
quarta-feira, setembro 15, 2010
Lugares onde ir (II)
FESTIVAL DE MÉRIDA • Diocles, 1 - 06800 Mérida
Tel. 924 009 480 Info: 924 004 930
oficina@festivaldemerida.es • http://www.festivaldemerida.es/
terça-feira, setembro 14, 2010
Outra
Sim, já sei. Não é um modo de um ser humano viver.
Mas precisava.
Ou então de um vento doce, que me desse vontade de ser um guarda-rios. Quem me dera andar de asas a visitar todos os rios um por um, fazer-lhes as curvas. As curvas dos rios sempre me interessaram.
Outra coisa que não pele exposta.
~CC~
segunda-feira, setembro 13, 2010
Cheiro a papel novo
Há coisas que nos tentam, por exemplo o cheiro a papel de um livro novo, pronto a sair da gráfica.
http://quetzal.blogs.sapo.pt/229382.html
Dos dias
domingo, setembro 12, 2010
Mensagens na neve
Todos procuramos amigos assim, capazes de nos fazer rir e de nos limpar as lágrimas. Não precisam de ser muitos nem de estar sempre connosco, é a confiança a base de todos os elos.
Dois homens tão improváveis bebendo conhaque para derreter a neve.
~CC~
(nas sessões da tarde de Domingo as pessoas vão sozinhas ao cinema, e são muito poucas, olham a solidão umas das outras com uma simpatia envergonhada)
A pomba da pata partida
Não era um homem mau, ninguém se queixava verdadeiramente de uma ofensa sem remédio, de um mal sem um pedido de desculpa, e era possível recordar um gesto de carinho, um braço que tinha posto sobre os ombros dos filhos, uma mão dada à mulher, umas das muitas mulheres que teve.
A ambiguidade do que se sentia por ele era tremenda, e atirava-nos a nós, mais do que a ele, para um lugar escuro, uma espécie de beco sem saída. A vontade de bater a porta e não mais voltar era grande, mas voltaríamos sempre, porque o que fazíamos já não era por ele mas por nós, para calar culpas e remorsos futuros.
Comigo tudo era pior. Em parte por causa da pomba da pata partida. A história que ele me tinha contado num daqueles dias mais dificeis, quando ainda morava naquela que tinha sido a sua casa. Um intelectual, um antigo coronel, um homem do poder, um mestre espiritual não alimenta pombas no jardim ou na praça, e por isso ele fazia-o na sua varanda. E murmurava num daqueles regressos do hospital: que será das minhas pombas...E a da pata partida, aquela que me vinha comer à mão, aquela que eu protegia, afastando todas as outras...nunca a deixavam comer. Pensei que se tratava de um delírio de doente. A compaixão era um sentimento que não lhe assentava.
Mas quando tirei tudo da casa, sem tocar na varanda horrivelmente suja das pombas, ainda olhei a ver se a via. E pensei nela, na pomba da pata partida, entregue agora a uma luta mais dura. E por causa dela, um rombo no meu coração, esse que eu julgava de todo protegido dele e do que pensara ser o seu desamor de toda uma vida.
sábado, setembro 11, 2010
Lugares a ir (I)
"Afinal, somos filhos dos Flagelados do Vento Leste. Todos os anos morremos com as dificuldades mas ressuscitamos com os novos desafios que enfrentamos".imagem e frase de: http://www.mindelact.com/welcome.html
quinta-feira, setembro 09, 2010
Fotossíntese
Gosto dele desde Nenhum Olhar, mesmo lhe reconhecendo obras maiores e outras menores, o que só lhe fica bem, torna-o o ser humano que é. E às vezes apanho-lhe as palavras por aí.
"Amar é um esforço intelectual. E quando se ama muito e só, sem espaços de sombra, transformamo-nos num sol. As plantas vivas dependem dessa estrela para chegarem à fotossíntese. Chamem-me hippy, chamem-me o que quiserem. Em qualquer dos casos, continuarei a saber de cor a letra do Something to believe in, Ramones, 1986.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Raízes
Mas ontem deram-me em segredo, baixinho, um convite. E creio que a ninguém ele podera ter comovido como aconteceu comigo. Na verdade um simples convite para a festa de aniversário de um bar/restaurante, qualquer coisa para clientes, tudo banal. Mas à saída ela sorriu e disse: quero-vos cá às duas! (pois, a miúda cresceu). Creio que só as pessoas sem raízes se comovem quando as agarram à terra, grande parte das outras até sente as raízes como uma prisão.
Mas eu pensei: se eu me dissolver, afinal darão conta disso.
terça-feira, setembro 07, 2010
Água
E em Cabo Verde aprendi a ver nos rostos das pessoas a tristeza da sua ausência, a saudade com que falavam de antigos rios e ribeiras. Não consigo conceber um país de rios secos, um lugar sem água doce.
Estas gotas foram uma bela variação às lágrimas de Verão, menos salgadas e sobretudo sem peso de mágoas. Nem pareciam chegar ao chão, antes voar livres de peso.
Agora pode vir sol, ainda tenho uns banhos de rio ou de mar para tomar.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Para sempre
Setembro
sexta-feira, setembro 03, 2010
Uma palavra
terça-feira, agosto 17, 2010
Já vou
FECHADO
segunda-feira, agosto 16, 2010
Fora de moda
sábado, agosto 14, 2010
Jogos de sorte e azar
Fechado por tempo indeterminado
e assim abandonar todas as palavras
numa despedida sem compromisso
Penso em ir à tua procura
à minha procura
num lugar que já não existe
nenhum de nós existe já
O silêncio é esse sinal
de um adeus a várias dimensões
de uma partida sem retorno
depois de um tempo de encontro.
Pensamos em coisas absurdas
e mágicas
quando a tristeza nos vem dominar
nas noites de sábado
Pensamos que queremos tudo o que deixámos
e não o queremos já
Pensamos num outro futuro
mas só há vazio quando o pensamos
Pensamos em tudo o que deixamos
quando escolhemos
e que queríamos voltar atrás
escolher outra vez
Escolher outra vez
marcar outras cruzes nos quadrados
onde se escondem os trevos de quatro folhas
os luares encantados
Mas sabemos que nunca nos estará reservado o euromilhões
Que a nossa vida
Esta curta e longa vida
só tem mealheiros de bairro de feira.
~CC~
sexta-feira, agosto 13, 2010
Três peras
terça-feira, agosto 10, 2010
A mulher sem ondas
domingo, agosto 08, 2010
As ondas à noite
-Pai, é verdade que a praia está aberta de noite?
- Sim, nunca fecha.
- E há pessoas que tomam banho à noite?
- Quase nenhumas, faz frio.
- E de que cor são as ondas à noite?
Silêncio do pai
Silêncio do menino
Fico a pensar: Ali está um menino que irá gostar de poesia.
~CC~
sábado, agosto 07, 2010
Agosto (III)
quinta-feira, agosto 05, 2010
Muros brancos
segunda-feira, agosto 02, 2010
Agosto (I)
milhares de letras em equilíbrio instável
Como te escreveste tantos anos
anos e anos a fio
Tantas palavras
Um vazio tão grande
Um amargo tão intenso
Quero ver tudo
Não quero ver nada
Um risco
Tu não existes
Mas estás aqui
Mais que nunca estás aqui.
~CC~
domingo, agosto 01, 2010
Belos fios
quinta-feira, julho 29, 2010
Notas de memória
segunda-feira, julho 26, 2010
domingo, julho 25, 2010
A casa na Praia
sexta-feira, julho 16, 2010
Outra latitude
~CC~
quinta-feira, julho 15, 2010
Ainda esses meninos sem mar
quarta-feira, julho 14, 2010
As férias grandes da menina
terça-feira, julho 13, 2010
Pedras
domingo, julho 11, 2010
Sinos de Domingo
sábado, julho 10, 2010
Relógio interior
sexta-feira, julho 09, 2010
Segredos
quinta-feira, julho 08, 2010
Coisas antigas
quarta-feira, julho 07, 2010
Mapa
sábado, julho 03, 2010
O que sobra dos dias
A Espanha a festejar na praça com o meu nome. O Brasil a minguar até o samba se tornar fado. O Eduardo que faz toda a diferença, também por ter uma mulher atleta em vez de uma barbie.
O teu sorriso à minha espera, essa bondade que tardou tanto a aparecer no teu olhar e agora me comove. As árvores do anfiteatro da Gulbenkian cheias do vento da noite, os olhos a fecharem-se no meu cansaço, a voz da Lula Pena feita um lugar quente.
Ela grande, a passar-me em altura, a chamar-me, a inquietar-me, ela a crescer, mais em alegria do que em dor, ela a levar-me tanto do meu coração.
Os sinais cifrados de alguma coisa que não sei, da qual nunca tenho a certeza. A vida, sempre este mistério, esta incerteza, estas pessoas no limbo de existirem ou desparecerem das nossas vidas.
A vida, essa lugar onde algumas pessoas estão mesmo ao nosso lado.
~CC~
quarta-feira, junho 30, 2010
Vinte anos
~CC~
terça-feira, junho 29, 2010
Meio coração e mais um bocadinho
E depois penso que não pode ser, afinal sou portuguesa, então escolho um lugar em Portugal, Luzianes, por exemplo, e penso que também lhe pertenço. Nunca estive em Luzianes, mas o nome diz tudo de um lugar que fica no fim do Alentejo e no início do Algarve, um lugar que se divide em dois: aldeia e gare. Tenho que ter a gare, por causa das muitas partidas que teria que fazer da aldeia. E teria que ter a aldeia, por causa da luz, essa que o sul deita a cada crepúsculo de Verão. Mas sinceramente não sei se vou a tempo de pertencer a Luzianes, porque não sei se ainda sei pertencer.
segunda-feira, junho 28, 2010
Mistérios literários
domingo, junho 27, 2010
Somos nós(III)
sábado, junho 26, 2010
Portas que abrem paredes
quinta-feira, junho 24, 2010
Anti depressivo
quarta-feira, junho 23, 2010
Mediterrâneo

~CC~
Foto retirada de: http://4.bp.blogspot.com/_pzZKTpmIGhA/TCHMDz5laYI/AAAAAAAABL0/lBBGQ4NRpSs/s1600/mar.jpg
terça-feira, junho 22, 2010
Responder
O meu marido um dia disse-me: tens barriga, já não devias usar biquini!
Elas respondem aos maridos, dizem-lhes as verdades, elas já não se calam.
sexta-feira, junho 18, 2010
Atlântico
e via Lanzarote num mar doce
mas era só eu a viajar pelo mar interior do Mediterrâneo
este mar que ele haveria também de amar, por causa das pedras, das oliveiras, da pobreza nobre destes rostos de olhos negros
afinal ele partiu do Atlântico
e está certo também
por a ilha ser um retalho de pedaços do seu mundo
por esse ser o mar de todas as partidas, aparentemente frio como ele
mas luzindo em conchas e em peixes
voou uma estrela planetária
de raiz ribatejana
segurem as lágrimas
sejam comedidos com as bandeiras
pensem em papoilas.
~CC~
(estive várias vezes prestes a vomitar ao ler o Ensaio sobre a Cegueira, e senti-me muito mal a ver o filme, creio que nenhuma obra me fez sofrer tanto, por ver nela um fiel retrato dos nossos mais íntimos males como seres humanos).
~CC~
quinta-feira, junho 17, 2010
Dos silêncios
Espelho
quarta-feira, junho 16, 2010
Somos nós (II)
O que ela não sabia era que ele tomava aqueles comprimidos redondos e pequeninos para dormir. Não sabia que ele já não passava sem eles.
Ambos sabiam o que os entristecia, mas a tristeza tornava-os mudos. Cada um conjecturava soluções para a conta a zero no banco. Ela tinha pena de nunca ter querido o ouro que ele lhe queria dar pelos anos, agora sempre o tinha. Ele tinha pena de nunca ter aceite os relógios que o avô lhe queria deixar em herança, agora talvez pudessem valer-lhe.
Nenhum pensava em dizer nada às respectivas famílias, seria uma vergonha.
segunda-feira, junho 14, 2010
Somos nós (I)
domingo, junho 13, 2010
Somos nós
sexta-feira, junho 11, 2010
Cinzentos
A angústia costuma ser um estado breve, sempre possivel de atenuar com um banho de mar e cerejas doces.
~CC~
quinta-feira, junho 10, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
Enfermaria
os meninos
e os de meia idade
os homens doentes têm olhos líquidos
dolorosos e sem cor
e um absoluto desejo de colo
Os homens velhos doentes
são meninos
e os meninos são velhos
os homens doentes têm o corpo tenso
sofreguidão de abraços
estão fragéis e despidos
os homens doentes de meia idade
são meninos
e já são velhos
embrulho-os em céu de seda
enrolo-os em perfume jasmim
dou-lhes colo doce
busco-me, estou, sou.
~CC~
terça-feira, junho 08, 2010
Manhã
*http://www.festroia.pt/
segunda-feira, junho 07, 2010
A coisa mais bela
quarta-feira, junho 02, 2010
Identidade flor
terça-feira, junho 01, 2010
Marcas
flores sempre brancas
pousadas no marco de ferro da rua
Todas as sextas a mulher
as flores brancas
a dor do seu menino perdido
Talvez um menino
que só queria atravessar a passadeira
todas as sextas
Era uma mulher ainda nova
andaria pelos quarenta
mãe de um menino, talvez um rapaz
Um rapaz de olhos pretos luz
que só queria voar mais e mais
veloz na sua mota
Nunca te darei uma mota
apenas estas havaianas amarelas
terás que voar com elas.
~CC~
domingo, maio 30, 2010
vinte e cinco
sexta-feira, maio 28, 2010
Conto infantil
E então viu com clareza a estrela do mar laranja, absolutamente linda, nadando e ondulando a 10 cm dela em pleno azul, aquele azul transparente da praia de Pemba. Um simples movimento de mão e teria apanhado uma estrela do mar, uma linda estrela do mar laranja. E ficou a vê-la afastar-se, incapaz de lhe tirar a vida para a guardar depois seca e morta num apartamento do ocidente.
