Tomo banhos de silêncio. Ele é floresta escura em que me perco. Ele é uma ponte romana nos confins da Beira Alta, onde encosto as mãos nas pedras e vou delas ao meu corpo e do meu corpo a elas, e concluo que somos matéria porosa do tempo, daqui a pouco seremos pó, mais eu que elas.
Há tanto ruído no mundo, tanta gente a falar. Anunciados os precípicios não sabemos como não cair, não nos dizem. E pouco percebemos já do que o mundo é. Escapam-nos os sentidos de todas as crises que nos inventaram.
Há ruído a mais em todo o lado, música estridente, conversas ao telemóvel, redes virtuais, discussões entre vizinhos, políticos de boca aberta. E tão pouca coisa a fazer sentido.
Apetecia-me fazer greve. Seria apenas o corpo a falar a sua linguagem para quem o quisesse escutar. Digo-me melhor com a pele.
~CC~

