segunda-feira, setembro 06, 2010
Para sempre
Setembro
sexta-feira, setembro 03, 2010
Uma palavra
terça-feira, agosto 17, 2010
Já vou
FECHADO
segunda-feira, agosto 16, 2010
Fora de moda
sábado, agosto 14, 2010
Jogos de sorte e azar
Fechado por tempo indeterminado
e assim abandonar todas as palavras
numa despedida sem compromisso
Penso em ir à tua procura
à minha procura
num lugar que já não existe
nenhum de nós existe já
O silêncio é esse sinal
de um adeus a várias dimensões
de uma partida sem retorno
depois de um tempo de encontro.
Pensamos em coisas absurdas
e mágicas
quando a tristeza nos vem dominar
nas noites de sábado
Pensamos que queremos tudo o que deixámos
e não o queremos já
Pensamos num outro futuro
mas só há vazio quando o pensamos
Pensamos em tudo o que deixamos
quando escolhemos
e que queríamos voltar atrás
escolher outra vez
Escolher outra vez
marcar outras cruzes nos quadrados
onde se escondem os trevos de quatro folhas
os luares encantados
Mas sabemos que nunca nos estará reservado o euromilhões
Que a nossa vida
Esta curta e longa vida
só tem mealheiros de bairro de feira.
~CC~
sexta-feira, agosto 13, 2010
Três peras
terça-feira, agosto 10, 2010
A mulher sem ondas
domingo, agosto 08, 2010
As ondas à noite
-Pai, é verdade que a praia está aberta de noite?
- Sim, nunca fecha.
- E há pessoas que tomam banho à noite?
- Quase nenhumas, faz frio.
- E de que cor são as ondas à noite?
Silêncio do pai
Silêncio do menino
Fico a pensar: Ali está um menino que irá gostar de poesia.
~CC~
sábado, agosto 07, 2010
Agosto (III)
quinta-feira, agosto 05, 2010
Muros brancos
segunda-feira, agosto 02, 2010
Agosto (I)
milhares de letras em equilíbrio instável
Como te escreveste tantos anos
anos e anos a fio
Tantas palavras
Um vazio tão grande
Um amargo tão intenso
Quero ver tudo
Não quero ver nada
Um risco
Tu não existes
Mas estás aqui
Mais que nunca estás aqui.
~CC~
domingo, agosto 01, 2010
Belos fios
quinta-feira, julho 29, 2010
Notas de memória
segunda-feira, julho 26, 2010
domingo, julho 25, 2010
A casa na Praia
sexta-feira, julho 16, 2010
Outra latitude
~CC~
quinta-feira, julho 15, 2010
Ainda esses meninos sem mar
quarta-feira, julho 14, 2010
As férias grandes da menina
terça-feira, julho 13, 2010
Pedras
domingo, julho 11, 2010
Sinos de Domingo
sábado, julho 10, 2010
Relógio interior
sexta-feira, julho 09, 2010
Segredos
quinta-feira, julho 08, 2010
Coisas antigas
quarta-feira, julho 07, 2010
Mapa
sábado, julho 03, 2010
O que sobra dos dias
A Espanha a festejar na praça com o meu nome. O Brasil a minguar até o samba se tornar fado. O Eduardo que faz toda a diferença, também por ter uma mulher atleta em vez de uma barbie.
O teu sorriso à minha espera, essa bondade que tardou tanto a aparecer no teu olhar e agora me comove. As árvores do anfiteatro da Gulbenkian cheias do vento da noite, os olhos a fecharem-se no meu cansaço, a voz da Lula Pena feita um lugar quente.
Ela grande, a passar-me em altura, a chamar-me, a inquietar-me, ela a crescer, mais em alegria do que em dor, ela a levar-me tanto do meu coração.
Os sinais cifrados de alguma coisa que não sei, da qual nunca tenho a certeza. A vida, sempre este mistério, esta incerteza, estas pessoas no limbo de existirem ou desparecerem das nossas vidas.
A vida, essa lugar onde algumas pessoas estão mesmo ao nosso lado.
~CC~
quarta-feira, junho 30, 2010
Vinte anos
~CC~
terça-feira, junho 29, 2010
Meio coração e mais um bocadinho
E depois penso que não pode ser, afinal sou portuguesa, então escolho um lugar em Portugal, Luzianes, por exemplo, e penso que também lhe pertenço. Nunca estive em Luzianes, mas o nome diz tudo de um lugar que fica no fim do Alentejo e no início do Algarve, um lugar que se divide em dois: aldeia e gare. Tenho que ter a gare, por causa das muitas partidas que teria que fazer da aldeia. E teria que ter a aldeia, por causa da luz, essa que o sul deita a cada crepúsculo de Verão. Mas sinceramente não sei se vou a tempo de pertencer a Luzianes, porque não sei se ainda sei pertencer.
segunda-feira, junho 28, 2010
Mistérios literários
domingo, junho 27, 2010
Somos nós(III)
sábado, junho 26, 2010
Portas que abrem paredes
quinta-feira, junho 24, 2010
Anti depressivo
quarta-feira, junho 23, 2010
Mediterrâneo

~CC~
Foto retirada de: http://4.bp.blogspot.com/_pzZKTpmIGhA/TCHMDz5laYI/AAAAAAAABL0/lBBGQ4NRpSs/s1600/mar.jpg
terça-feira, junho 22, 2010
Responder
O meu marido um dia disse-me: tens barriga, já não devias usar biquini!
Elas respondem aos maridos, dizem-lhes as verdades, elas já não se calam.
sexta-feira, junho 18, 2010
Atlântico
e via Lanzarote num mar doce
mas era só eu a viajar pelo mar interior do Mediterrâneo
este mar que ele haveria também de amar, por causa das pedras, das oliveiras, da pobreza nobre destes rostos de olhos negros
afinal ele partiu do Atlântico
e está certo também
por a ilha ser um retalho de pedaços do seu mundo
por esse ser o mar de todas as partidas, aparentemente frio como ele
mas luzindo em conchas e em peixes
voou uma estrela planetária
de raiz ribatejana
segurem as lágrimas
sejam comedidos com as bandeiras
pensem em papoilas.
~CC~
(estive várias vezes prestes a vomitar ao ler o Ensaio sobre a Cegueira, e senti-me muito mal a ver o filme, creio que nenhuma obra me fez sofrer tanto, por ver nela um fiel retrato dos nossos mais íntimos males como seres humanos).
~CC~
quinta-feira, junho 17, 2010
Dos silêncios
Espelho
quarta-feira, junho 16, 2010
Somos nós (II)
O que ela não sabia era que ele tomava aqueles comprimidos redondos e pequeninos para dormir. Não sabia que ele já não passava sem eles.
Ambos sabiam o que os entristecia, mas a tristeza tornava-os mudos. Cada um conjecturava soluções para a conta a zero no banco. Ela tinha pena de nunca ter querido o ouro que ele lhe queria dar pelos anos, agora sempre o tinha. Ele tinha pena de nunca ter aceite os relógios que o avô lhe queria deixar em herança, agora talvez pudessem valer-lhe.
Nenhum pensava em dizer nada às respectivas famílias, seria uma vergonha.
segunda-feira, junho 14, 2010
Somos nós (I)
domingo, junho 13, 2010
Somos nós
sexta-feira, junho 11, 2010
Cinzentos
A angústia costuma ser um estado breve, sempre possivel de atenuar com um banho de mar e cerejas doces.
~CC~
quinta-feira, junho 10, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
Enfermaria
os meninos
e os de meia idade
os homens doentes têm olhos líquidos
dolorosos e sem cor
e um absoluto desejo de colo
Os homens velhos doentes
são meninos
e os meninos são velhos
os homens doentes têm o corpo tenso
sofreguidão de abraços
estão fragéis e despidos
os homens doentes de meia idade
são meninos
e já são velhos
embrulho-os em céu de seda
enrolo-os em perfume jasmim
dou-lhes colo doce
busco-me, estou, sou.
~CC~
terça-feira, junho 08, 2010
Manhã
*http://www.festroia.pt/
segunda-feira, junho 07, 2010
A coisa mais bela
quarta-feira, junho 02, 2010
Identidade flor
terça-feira, junho 01, 2010
Marcas
flores sempre brancas
pousadas no marco de ferro da rua
Todas as sextas a mulher
as flores brancas
a dor do seu menino perdido
Talvez um menino
que só queria atravessar a passadeira
todas as sextas
Era uma mulher ainda nova
andaria pelos quarenta
mãe de um menino, talvez um rapaz
Um rapaz de olhos pretos luz
que só queria voar mais e mais
veloz na sua mota
Nunca te darei uma mota
apenas estas havaianas amarelas
terás que voar com elas.
~CC~
domingo, maio 30, 2010
vinte e cinco
sexta-feira, maio 28, 2010
Conto infantil
E então viu com clareza a estrela do mar laranja, absolutamente linda, nadando e ondulando a 10 cm dela em pleno azul, aquele azul transparente da praia de Pemba. Um simples movimento de mão e teria apanhado uma estrela do mar, uma linda estrela do mar laranja. E ficou a vê-la afastar-se, incapaz de lhe tirar a vida para a guardar depois seca e morta num apartamento do ocidente.
quinta-feira, maio 27, 2010
O que resta
o teu coração riscado e apodrecido
a tua voz sumida
as mãos trémulas.
Eis o teu corpo minado
as tuas palavras desconexas
o teu andar bambo
a tua memória lacunar
E quase nada para te dar
um carinho escavado no que resta
uma mão que mal se consegue encaixar na tua
um esforço para te agarrar
Eis o tempo a enegrecer a tua alegria
a doença a minar a tua autoridade
a pobreza a rondar-te a casa
a alucinação a esboroar-te o pensamento
E quase nada para te dar
uma sopa de supermercado
pão e queijo
talvez um bolo
o que resta do que poderia ter sido um abraço.
~CC~
Papelinhos, letreiros e murais
quarta-feira, maio 26, 2010
Ter voz

(Imagem de http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/05/cineasta-preso-no-ira-desde-marco-e-libertado-sob-fianca.html)
terça-feira, maio 25, 2010
É que hoje fiz um amigo...
segunda-feira, maio 24, 2010
Uma coisa quase nada
domingo, maio 23, 2010
quinta-feira, maio 20, 2010
A desconhecida
quarta-feira, maio 19, 2010
Fronteira
As meninas pretas com os seus cabelos muito arranjados em trancinhas variadas e as batas muito brancas, os olhos cheios de luz, as mangas sumarentas que comíamos depois da escola. Iguais eu e elas, e no entanto quando o meu pai chegava elas desapareciam todas como por magia, não podiam estar na casa da menina branca. Era a solidão.
terça-feira, maio 18, 2010
Talvez seja...
domingo, maio 16, 2010
Bolas de sabão
Saltam de repente as duzentas galinhas que viveram um tempo no quintal e a banheira cheia dos seus ovos, vem o homem do carro branco para me levar de novo e me aprisionar, e até a doçura das bolas de sabão sopradas nos pequenos troncos de mamoeiro me parece estar ali, ao dobrar da esquina. Ele conta histórias, ele conta muitas histórias, são assim as pessoas que se tornam velhas e estão doentes, as pessoas que sabem que vão viver pouco tempo. E apetece mergulhar nelas, saber se tive mesmo infância, se aconteceu. Não sei se é apenas uma maneira de me encontrar ou apenas mais uma para me perder.
sexta-feira, maio 14, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
Semi-breves (IX)
quarta-feira, maio 12, 2010
Só existir (II)
O que eu gosto de ser é daquela mesma natureza que as pessoas que hoje orientaram em silêncio comovido o cego pelo labirinto dos corredores na estação do comboio, daquela solicitude contida e atenta. Ser alguma coisa de profundamente humano, e por isso triste. Ser alguma coisa de esperança, e por isso profundamente alegre.
terça-feira, maio 11, 2010
Só existir
Comigo não se passa nada, não há entusiasmo pelo Benfica nem por nenhum outro, não sou nem contra a vinda do Papa, nem a favor dela, não rejúbilo nem me revolto. Comigo não se passa nada, não tenho como me ligar aos outros. Minto talvez, algumas lutas pelos direitos das pessoas entusiasmam-me, ainda me maravilho com a utopia em forma de letra na Declaração dos Direitos Humanos. E é tudo, é quase tudo
Falta ainda a luz desta manhã, quando me deparei com vastas áreas cobertas de papoilas, talvez esse deslumbramento me possa unir a alguém.
~CC~
segunda-feira, maio 10, 2010
600
domingo, maio 09, 2010
sábado, maio 08, 2010
Poesia dita
"Venha ler em voz alta na Casa Fernando Pessoa"
Ler Mário Benedetti, um ano depois da sua morte.
Papel mojado
Con ríos
con sangre
con iluvia
o rocío
con semen
con vino
con nieve
con llanto
los poemas
suelen
ser
papel mojado.
Mario Benedetti
sexta-feira, maio 07, 2010
Coisas sem nome
quinta-feira, maio 06, 2010
Rendilhado
Estes encontros, nenhum deles marcado pela tristeza, pela revolta, pela amargura, traços que tantas vezes marcaram o meus encontros de labor, mostraram-me duas faces, duas que são só uma e é a minha face. Ainda é possível fazer com que das minhas mãos nasçam estrelas, elas têm com elas a memória de uma alegria que não se perdeu inteiramente, basta confiar para que se ilumine o que em mim é ainda luz. Mas quando nos habituamos a ser pessoas sós, viradas para dentro em exilío de vozes, não mais deixamos de precisar desse silêncio. É como se ele nos viciasse. É a renda à nossa espera.
quarta-feira, maio 05, 2010
Pequenas asas
segunda-feira, maio 03, 2010
Way (II)
quinta-feira, abril 29, 2010
quarta-feira, abril 28, 2010
Semi-breves (VI)
terça-feira, abril 27, 2010
A tipologia do fogo
segunda-feira, abril 26, 2010
Um minuto de Domingo
domingo, abril 25, 2010
Dizer sempre
sexta-feira, abril 23, 2010
A Interpretação dos verbos
Consolar, essa capacidade de ir buscar a ternura nas dobras escondidas do coração, escavando-o à procura do riso possível para depositar num rosto triste. Ser capaz de palavras doces para oferecer num tempo de amargura.
Arquitectar, essa vontade de sonhar permanente, riscos cruzados no papel cheios de casas brancas, muitas papoilas, um sol desenhado num dia de primavera, um piquenique com cerejas e beijos leves trocados devagar. Buenos Aires, e todo o deserto ainda à espera do olhar.
Conseguir, qualquer coisa melhor que ter êxito, chegar provisoriamente a um lugar onde quando nos dizem "muito bem" sentimos o sabor do suspiro a desfazer-se na boca, a certeza de que afinal todas as escritas nos são possíveis, basta inclinar a caneta de uma determinada forma para apanhar o vento certo. A certeza de que saber pensar é afinal o mais importante. Saber que o sabemos.
quinta-feira, abril 22, 2010
Tempestade
Para a próxima pensarei melhor sobre o último andar, esta proximidade do céu.
quarta-feira, abril 21, 2010
Semi-breves (V)
terça-feira, abril 20, 2010
Outras palavras, e podiam ser minhas (I)
TESTAMENTO
Vou partir de avião
e o medo das alturas misturado comigo
faz-me tomar calmantes
e ter sonhos confusos
Se eu morrer
quero que a minha filha não se esqueça de mim
que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada
e que lhe ofereçam fantasia
mais que um horário certo
ou uma cama bem feita
Dêem-lhe amor e ver
dentro das coisas
sonhar com sóis azuis e céus brilhantes
em vez de lhe ensinarem contas de somar
e a descascar batatas
Preparem a minha filha
para a vida
se eu morrer de avião
e ficar despegada do meu corpo
e for átomo livre lá no céu
Que se lembre de mim
a minha filha
e mais tarde que diga à sua filha
que eu voei lá no céu
e fui contentamento deslumbrado
ao ver na sua casa as contas de somar erradas
e as batatas no saco esquecidas
e íntegras
ANA LUÍSA AMARAL, Minha Senhora de Quê, Quetzal Editores, Lisboa, 1999: 61, 62