Um caso, é assim que lhe chamamos na designação científica, um caso é uma experiência singular que procuramos captar, retratar, fixar. Mas prefiro chamar-lhe lugar e dizer que podia pertencer-lhe. Não sei se serei capaz de mais.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Lugar
Um caso, é assim que lhe chamamos na designação científica, um caso é uma experiência singular que procuramos captar, retratar, fixar. Mas prefiro chamar-lhe lugar e dizer que podia pertencer-lhe. Não sei se serei capaz de mais.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Branco
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Janeiras
Este é o tempo de andar por aí com os meus alunos, desenvolvendo actividades em tudo o que é canto. Praticamente não faço exames, quero que mostrem quem são e o que sabem fazer junto e com as pessoas. Quase todos nos abrem as portas, por vezes perguntando mesmo muito pouco, esta confiança que em nós depositam sem que nos conheçam de lado nenhum, é das coisas boas e bonitas que me têm acontecido.
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Nómada
Nestas alturas, quando morre alguém que admiramos, desejamos por vezes ser crentes.
De algum modo a voz de Lhasa ecoaria no céu das estrelas, prendendo a si anjos faladores de tantas línguas quantas as que ela nos trazia com a sua voz, anjos nómadas, viajantes do universo, como ela era.
Cheguei tardiamente à música da Lhasa, e queria muito assitir a um concerto dela, mas já não será possível fazê-lo, ela deixou-nos no primeiro dia do ano. No entanto, a música, acompanhada do seu sorriso de menina, ainda brilha.
~CC~
domingo, janeiro 03, 2010
Outros balanços
Mas a família que é um lugar inequivoco de amor, é também um lugar de enorme preocupação. Nada nos pode doer mais que a incapacidade que sentimos para estancar os rumos menos bons daqueles com quem crescemos ou que vimos crescer. Nada nos dói mais do que a antevisão dos precípicios nos quais podem cair. E, no entanto, que direito temos de lhes dizer isso mesmo, de os julgar, de os avisar, de os impedir. A dúvida entre o que podemos e queremos dizer, entre o que podemos e queremos fazer, é por vezes imensa. Os erros pagam-se por vezes muito caro, apesar de fazerem parte da vida. Estes momentos, em que a vida quotidiana é de repente interrompida e as vozes de cada um não chegam via telefone ou internet, são assim momentos em que vemos os olhos inteiros dos outros. E sabemos, quando os abraçamos, que bate dentro de nós um coração com medo do que possa acontecer-lhes.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Desejo(s)
Certo é que toda a vida desejei, e isso é mesmo o mais importante, a forma como o desejo foi sempre em mim luz, a própria arquitectura da vontade da vida. E é apenas isso que não quero perder.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Cheiro a laranja (II)
terça-feira, dezembro 22, 2009
Cheiro a laranja
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Inquietude
Vi Ágora presa na dor desse confronto com a violência dos homens, fechando os olhos perante a barbaridade que é capaz de habitar um olhar, atónita perante o contágio da raiva, a nódoa a alastrar impossível de conter. Chamar religião a qualquer coisa que tem tanto ódio dentro só pode ser a verdadeira blasfémia. Vemos como esse mal é capaz de viver em todos as religiões e como é paradoxal fazer tanto mal em nome do bem.
E também abri os olhos extasiada para ver as estrelas brilhar intensamente dentro do coração de uma mulher, fui com ela nessa viagem pelo universo cheia de perguntas, ainda e sempre cheia de perguntas. Senti-me reconciliada com a Ciência, não obstante duvidar tantas vezes dela. Mas a busca do saber é um infinito bem, sobretudo se ela se faz na humildade de entender cada resposta como apenas um momento de apaziguar a inquietude antes de partir de novo.
~CC~
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Outro Natal
quarta-feira, dezembro 16, 2009
Chocolates (II)
Chocolates
Ando com vontade de comprar uma para oferecer, e penso que uma parte dos nossos presentes tem tanto disto, do que também um dia sonhámos receber. E às vezes nem o queremos realmente, gostamos de acalentar aquele desejo, mais do que de o concretizar. É como se o desejo de alguma coisa fosse connosco a acompanhar-nos pela vida, fazendo desse modo parte dela.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Dezembro
^
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Fazer a diferença (II)
terça-feira, dezembro 08, 2009
Bairro
- É Natal e quero dar-te uma coisa.
- A mim? Eu não quero nada...
(a amiga que também está na mesa sorri matreiramente)
- Não tenho cá ninguém, quero dar-te uma coisa a ti.
- E a tua mãe, quando vem?
- Estou a juntar o dinheiro para ela vir, são seis meses, já fiz as contas...
(que pena não conseguir juntar a pronúncia dele nesta escrita, era doce, cantante, cheia de esperança).
Gosto tanto daqui.
(talvez nunca pare de procurar a minha casa).
~CC~
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Nas mãos da Sophia
Se a palavra começar tem sentido quando há muito devia ter começado as 300 páginas da escrita académica conducente ao grau que tornará a palavra emprego mais possível, é ali que quero começar. Tenho um ano apenas diante de mim, por isso escolho a companhia da Sophia, da inspiração das suas mãos, ali onde o mar me parece tão azul como os olhos dela.
Calipolenses
Contemplava como qualquer turista tonto a beleza das laranjeiras que inundam a vila branca, pensando como é possível termos estes frutos sumarentos em pleno Inverno. Foi então que eles passaram, dois homens com cerca de cinquenta anos, um deles caminhava atrás do outro tentando seguir o seu passo apressado. E não pude evitar escutar, num tempo em que este verbo só tem conotações negativas, ainda acredito que é uma arte.
terça-feira, dezembro 01, 2009
Companhia
Ter companhia é muito mais que não estar sozinho. Na paisagem branca deste Alentejo toldado pelo frio e pela chuva é o calor que acontece quando se partilha o silêncio, a palavra e o riso. E é certo que é isso que corta a tristeza ao meio e a desmancha como uma manta de trapos.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Fazer a diferença
quarta-feira, novembro 25, 2009
Identidades
segunda-feira, novembro 23, 2009
Pequenas certezas
Mas há uns poucos dias que ela resolve mostrar o seu peso de chumbo, engorda até parecer que vai explodir e nessa explosão afogar todo o corpo no seu húmido cinzento. É preciso falar com ela num longo e terno diálogo, aquietá-la, empatá-la com falas mansas, piscar-lhe o olho. E quando por fim sossega, é possível ter a certeza que a vida em mim é mais feliz do que triste.
E as cegonhas rasgam os céus majestosas no crepúsculo frio, atravessando o meu horizonte na estrada do Alentejo, e tenho um pensamento bom, penso na maravilha que é um pássaro tão pesado poder voar assim.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Viajando sem sair do lugar
terça-feira, novembro 17, 2009
Receita
Coza em lume brando uma lembrança boa, por exemplo, um momento em que fez alguém feliz, realmente feliz. Não se demore no tempo que essa felicidade durou, concentre a sua memória na luz. Guarde esse sol, esse calor e coma-o demoradamente, saboreie.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Muros invisíveis
sábado, novembro 14, 2009
Do outro lado...
sexta-feira, novembro 13, 2009
Procuramos quem possa cuidar...
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quarta-feira, novembro 11, 2009
As lágrimas públicas
segunda-feira, novembro 09, 2009
Muros (III)
Muros (II)
(para ~AF~, que tanto gosta de conhecer as histórias reais da família)
Nunca poderei esquecer os muros que havia dentro de casa. Eram portas e portas fechadas à chave, e meninas que ainda éramos, espreitavámos pelos buracos da fechadura para tentar adivinhar o que ia lá dentro. Era uma casa grande, muito grande, mas nós vivíamos as quatro num único quarto, uma única casa de banho e a cozinha.
Nós agonizámos na nossa falta de espaço: duas mulheres, uma adolescente, uma criança enfiadas num único quarto onde se tinha que fazer tudo. Lembro-me dos colchões que se estendiam na hora de deitar e que era preciso tirar ao levantar, e ainda sei a cor dos cobertores que se dobravam e desdobravam a toda a hora. Tinham-nos deixado a casa cheia de portas fechadas à chave e nenhuma chave. Eram os nossos muros, os muros dolorosos da minha adolescência. E pouco podia compreender do que se passava em concreto: dizia-se em voz baixa que a casa tinha sido ocupada pelos retornados, e nós éramos já a segunda vaga da ocupação. Éramos também retornados, mas mais pobres e menos espertos, a nossa família era esse bando de quatro mulheres, duas afinal quase meninas, e não tínhamos nenhum rendimento para além de uma magra pensão pela qual a mãe lutava todos os dias, e mesmo essa estava sempre sob ameaça. Tínhamos vindo assim, na esteira de outros, ocupar casas de luxo vazias.
domingo, novembro 08, 2009
Muros (I)
sexta-feira, novembro 06, 2009
Nas coisas mais simples (II)
quinta-feira, novembro 05, 2009
Nas coisas mais simples
terça-feira, novembro 03, 2009
Processo de Influência
domingo, novembro 01, 2009
Ponto a ponto os dias
Elipses felizes
Com raras excepções, é fora dos cinemas que decorre de facto a festa do cinema. Belissímo filme sobre pessoas tão iguais a nós. E um belo exemplo de como podemos ao mesmo tempo rir e chorar num jogo de espelhos que nos devolve inteiro o nosso rosto.

imagem retirada de http://www.qctop.com/actualites/upload/Premierjourdurestedetavie-76658.jpg
quarta-feira, outubro 28, 2009
A tristeza
É a tristeza, uma cola pegajosa que fica na nossa pele e não sai com a água do banho. É a tristeza, um torpor que vem de dentro como um frio que nos amarra os músculos. É a tristeza, aquela cortina de fumo que nos esconde e torna feios os nossos olhos. É a tristeza, uma morte sem corpo nem doença que nos agarra quando o Outono traz assim tão cedo as noites. É a tristeza, esse não gostar de nós que nos acaba a não gostar do mundo.
terça-feira, outubro 27, 2009
Saber
Os livreiros velhos que sabem o nome das árvores da cidade são um bem impossível de classificar. São como as árvores com nome que são amadas por eles.
~CC~
domingo, outubro 25, 2009
A primeira escola
Voltei lá no último Domingo e ela estava lá, quase igual. Tudo quieto, parado, silencioso como há mais de vinte anos quando cheguei na camioneta da carreira, depois de duas horas e meia de viagem. Os meninos, ainda os procurei pelas esquinas da rua, imaginando-os rapazes e raparigas com olhos ainda espantados como quando os encontrei. A serra de Montejunto ali mesmo ao lado, imponente no seu olhar de pedra. Foi este o lugar onde me tornei professora pela primeira vez, apenas uma sala, uma única sala vazia e fria onde a tristeza parecia querer espreitar em cada janela. O pátio de terra varrido pelo vento é ainda o mesmo, mas há pequenas árvores, alguma delas será a que plantámos num dia de Primavera, cantando à sua volta uma canção para embalar o seu crescimento?!
sexta-feira, outubro 23, 2009
Dois apontamentos de amor
Há muito que espreito curiosa as nuances do seu crescimento. Espanto-me por vezes, fico entre o orgulho e a comoção. No início do Verão foi o silêncio que nos pediu para ouvir uma reportagem que passava na rádio sobre os meninos da guerra. Durou cerca de uma hora, iniciada no carro e terminada em casa, subiu as escadas a correr para a acabar de ouvir. Foi um outro mundo que lhe bateu à porta, esse onde as crianças não vão à escola e em vez das letras, aprendem a matar. Ontem foi o discurso que o Obama fez no início do ano lectivo nos EUA, vinha entusiasmada com a leitura colectiva que estavam a programar na turma. Leu a parte dela, logo os dois primeiros parágrafos com um tom de voz bonito e emocionado. Espanto-me desde os seus primeiros passos, mas a caminhada continua a ser um espanto.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Paixão e Política
Eu só quero ver o instante
em que chegas à manif
no teu Armani flamejante
qual vermelha passadeira
em vermelho redundante
que empalidece a bandeira
Vou ficar a ver-te mudo
gritando slogans na rua
pela divisão da riqueza
enquanto nos gabinetes de veludo
o poder treme e recua
com medo da tua beleza
Então dou-te uma toilette
soneto de alta costura
a mais chique maravilha
para me sentir perdoado
por não poder estar a teu lado
quando tomares a Bastilha.
Carlos Tê/Jorge Palma
(é mesmo verdade que a sabes tocar?
haverá lá melhor modo de comemorar a entrada do novo governo?!)
~CC~
quarta-feira, outubro 21, 2009
Dançar na chuva
As aulas começavam tarde, já as primeiras chuvas tinham lavado as ruas. Mas as chuvadas grandes que dobravam ao meio os guarda chuvas vinham um pouco depois, normalmente no final de Outubro. E lembro bem aquele dia em que tu e eu decidimos nos molhar até aos ossos, até aos nossos cabelos compridos escorrerem gotas no cimento do pátio grande, onde ficava também a maior poça de água da escola. E dançámos no pátio, cantando uma música dos Beatles, feitas cigarras tontas, desafiando todas as leis que amarravam o nosso quotidiano suburbano.
E quando nos abraçámos rindo, lembro-me que tinhas a face gelada, ainda mais gelada que a minha, e os teus lábios roxos riam e riam. Mas o que guardo de todo esse frio é um calor imenso, e nenhum apego, antes recusa, a guarda chuvas. E também uma certa alergia a convenções, acho que ainda era capaz de dançar à chuva.
terça-feira, outubro 20, 2009
Mar dos montes
domingo, outubro 18, 2009
Malha apertada
Mas um dia chega alguém muito próximo que nos diz que foi despedido. Há meses que conhecíamos o braço de ferro que vivia, o desalento pelo ruir de uma empresa, parte da culpa deposta numa gestão à deriva, as suas propostas todas deitadas por terra, denegridas. Depois chega outra, tão ou mais próxima que a primeira. Não aguentou a pressão diária, feita de manobras de terrorismo de escritório, muitas exaltações e gritos. Esta veio pelo seu pé em direcção a coisa nenhuma, sem direito à fila de espera no centro de emprego mais próximo de casa. No primeiro caso foram dez anos de uma vida, no segundo sete. Ninguém quererá saber, nem serão notícia.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Retrato
quarta-feira, outubro 14, 2009
Desistir
terça-feira, outubro 13, 2009
Sinteticamente...
-Então amanhã vais entrevistar um padre sobre sexo?!
(Pois é....)
~CC~
segunda-feira, outubro 12, 2009
domingo, outubro 11, 2009
Poder
sexta-feira, outubro 09, 2009
Da vida e da morte
Mas logo entristeci porque morreu a mãe de uma amiga querida, alguém a quem a minha filha um dia descobriu não ser tia dela por acaso, porque sempre lhe tinha chamado assim. Arranjei mais irmãs além das duas que já tenho e esta é, de certeza, uma delas. Há dois dias tinha deixado uma mensagem comovente no post que escrevi sobre o meu Outono, com um pedido de não publicação. Agora está ali secreto cada vez que entro no blogue porque não consigo apagá-lo. A mãe dela foi uma mulher de uma enorme coragem, lutou pela vida até a morte a levar.
Então, metade de mim ficou ainda a rir com o riso do meu sobrinho mais pequenino e a outra metade ficou a chorar com a dor da minha amiga. Metade vida, metade morte.
~CC~
quarta-feira, outubro 07, 2009
O meu Outono
Celebro em cada Outono um passeio de bicicleta em grupo a um lugar abandonado na cidade. Celebro um banho de mar tardio numa praia despovoada e cheia de pequenas conchas. Celebro a doçura de um beijo ainda receoso ante a possibilidade da recusa. Celebro um MP3 colocado no meu ouvido onde ecoava o Mercador de Veneza. Celebro a estranheza das peles que se desconhecem mas não se recusam tactear, mesmo a medo. Celebro os abraços dos corpos infinitamente colados.
Celebro a coragem do encontro face ao terrível medo do encontro.
terça-feira, outubro 06, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
VOL
Não podemos ignorar
~CC~
sexta-feira, outubro 02, 2009
Duas mulheres
quinta-feira, outubro 01, 2009
Quotidiano
A não ser quando digo sim porque já disse tantas e tantas vezes não que tenho pena deles e de mim. Assim venderam-me uma caixinha mágica dessas que têm mil canais e permitem andar para atrás e para a frente e depois falar sem parar de telefones fixos e fazer infinitos downloads. Quando o funcionário chegou com mais de uma hora de atraso estava mais ou menos furiosa, tinha teste de Inglês dali a pouco e estava cheia de pressa. Quando o vi nem queria acreditar na criatura de Fellini que me acontecera: umas lentes hiper graduadas que escondiam um olho para cada lado, acompanhada de algumas dificuldades de articulação e um andar muito tropêgo. E só me pedia desculpa e muita desculpa e uma chance para ficar pelo menos 10 minutos que depois voltava noutro dia: "minha senhora à hora que quiser, no dia que quiser". Ficou meia hora e voltou dois dias depois para mais uma hora de trabalho.
quarta-feira, setembro 30, 2009
O Senhor...
terça-feira, setembro 29, 2009
Três mulheres
Havia muitos homens por ali naquele círculo, e muitos disponíveis. No entanto as três enamoraram-se de um rapaz silencioso, ligeiramente mais novo, cujo talento maior era a navegação solitária pelo mar. E claro, como ele não se apaixonava a não ser por sereias, mostrava-se disponível, ainda que pouco, para as três. Mas a primeira não conseguia colocar termo ao seu casamento, pois via no seu marido o melhor dos amigos. E a última não via razão nenhuma para deixar um companheiro que lhe dava os melhores intervalos da sua vida. Só a última deixou o marido infiel para se juntar ao rapaz do barco, e resistindo a todos os enjoos, viveu com ele uma vida de sal e silêncio. Teve-o sim, e as outras não. Mas depressa descobriu que o silêncio se pode tornar dor e que o sal do mar seca demasiado a pele. Já as outras mantiveram no seu coração o rapaz com os mesmos olhos claros e iluminados, aquela doçura que imaginavam um dia a desfazer-se dentro delas.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Então pós...
domingo, setembro 27, 2009
Mesmo que o amor não pague as contas
...Mesmo que o amor não pague as contas...
Gosto de palavras de ordem verdadeiramente importantes, como estas que agora se podem ler nas paredes do metro em Varsóvia.
Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te
Silêncios electricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te
Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te.
José Luís Peixoto
Desde "Nenhum olhar" que lhe sigo atentamente as palavras.
~CC~
sexta-feira, setembro 25, 2009
Intenção
quinta-feira, setembro 24, 2009
Mais um ano lectivo
Viagem
terça-feira, setembro 22, 2009
Quatrocinco
sábado, setembro 19, 2009
Outono
E além do mais o Verão está a acabar e bem sabes que no Outono ainda menos me apetece sair de mim. E nesta altura, voltam inteiros os sonhos com as estações de comboio abandonadas transformadas em estações de prova de chás e estufas inglesas. Volta um eu metido em si como um búzio.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Abraços
terça-feira, setembro 15, 2009
Azul
Eu tive um sonho, desses de se ter acordado, que viveu comigo quase a vida toda. Um dia, sem dar conta, já não o tinha. Tinha-se perdido devagarinho enrolado no pó dos dias. Crescer para mim foi também arrumar alguns dos muitos sonhos que trazia.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Branco (II)
domingo, setembro 13, 2009
Branco
Tenho que acabar rapidamente esta tese.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Salvações
http://janela48.blogspot.com/
http://arspoetica-lp.blogspot.com/
http://elefante-branco.blogspot.com/
~CC~
quinta-feira, setembro 10, 2009
Crónicas das águas balneares (III) (de memória)
Não diria todos, mas muitos homens têm o estranho hábito de ficar em pé na praia. Ficam lado a lado, mais longe ou mais perto do mar, conversando com os olhos fixos nas ondas, também raramente olham uns para os outros nesses diálogos em surdina. Estes dois tinham uns vinte anos de diferença mas uma pose tão idêntica que os julguei pai e filho. O mais velho cobrava uma divída ao mais novo, tratava-se de uma renda de uma casa ou de um espaço comercial, qualquer coisa que já ia para três meses. Não alteravam a voz nem se angustiavam, havia uma frieza assustadora na entoação, claramente dissonante do conteúdo da conversa. O mais velho queria saber quando e como ia receber. O mais novo dizia que não podia prometer. O mais velho dizia que assim não podia ser, que precisava de um compromisso. O mais novo pedia mais tempo, o mais velho dizia que não podia lhe dar mais tempo. O dia não podia estar mais quente, o mar mais azul, o cenário não poderia ser menos apropriado para a guerra sem armas que ali se travava. Ao lado as mulheres pareciam as melhores amigas do mundo, riam e trocavam comentários sobre a miúda que enchia de areia o balde.

