sexta-feira, novembro 28, 2008
Palavras à procura de um blogue
Ponte dos milagres (VIII)
quarta-feira, novembro 26, 2008
Vítimas
terça-feira, novembro 25, 2008
Ponte dos milagres (VII)
domingo, novembro 23, 2008
Ponte dos milagres (VI)
Aconteceu percebe?! Pela manhã o desconhecido apareceu na ponte da Mizarela, apareceu logo com a criança, não me lembro do rosto dele, trazia um pano a cobri-lo. Debaixo desse pano preto, muito comprido, trazia o bebé. Era rosado, muito bonito, igual ao melhor dos meus sonhos. E deu-mo, simplesmente passou-o para os meus braços sem uma palavra.
Só se esse desconhecido era o próprio Diabo, e como eu aceitei a criança dos seus braços, cometi o maior dos pecados e por isso tenho de ser julgada.
E lembro como nessa altura o juiz baixou a cabeça, passou a mão pelos olhos, e pareceu desesperar com a impossibilidade de comunicar com esta mulher.
Jogo de Inverno
quinta-feira, novembro 20, 2008
Pela poesia

quarta-feira, novembro 19, 2008
Ponte dos milagres (V)
terça-feira, novembro 18, 2008
Perdidos e achados
segunda-feira, novembro 17, 2008
Ponte dos milagres (IV)
domingo, novembro 16, 2008
sexta-feira, novembro 14, 2008
Ponte dos milagres (III)
Tudo me interessava mais que a escola, lugar que deixava por qualquer passeio para apanhar azedas, por qualquer pescaria na ribeira, por uma ajuda na queijaria, por uma tarde a ouvir música na filarmónica. A escola aborrecia-me e a vida divertia-me, era uma miúda aluada, distraída, que tinha tanto sono depois do almoço que a minha colega do lado tinha por missão me abanar para eu não deitar a cabeça no tampo da mesa. O meu pai não sabia que fazer de mim, e ocupado com a luta política, não tivera tempo para mais filhos. Era eu a única e ainda por cima tão incapaz que não só desistira cedo da escola e casara mal feitos os vinte, como não lhe dava netos.
Como podia esquecer-me da lengalenga que a velhota me fizera anotar no papel: escreve minha filha, se sabes escrever, que eu não sei. Com o meu 6º ano de escola eu ainda era capaz de deixar no papel aquelas palavras que me acompanhariam daí em diante.
"Eu te baptizo criatura de Deus, pelo poder de Deus, e da Virgem Maria. Se for rapaz, será 'Gervás';se for rapariga, será Senhorinha. Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,um Padre-Nosso e uma Avé-Maria. Eu te baptizocriatura de Deus, Pelo poder de Deus, e da Virgem Maria."
Como faria eu para ir ao Minho, junto ao rio Rabagão?
quarta-feira, novembro 12, 2008
Ponte dos milagres (II)
imagem captada em http://homepages.internet.lu/jquaresma/pt/historia/mizarela.htmsegunda-feira, novembro 10, 2008
Ponte dos milagres (I)
Esta é a minha história, a de uma mulher que aguarda há dez anos por um filho que não chega. Na minha aldeia não há nenhuma mulher como eu. Espreito a corda de roupa da minha vizinha, onde há em todas as manhãs de sol o espelho dos seus meninos na roupa molhada. As mulheres dizem baixinho quando eu passo: coitada, tão jeitosa, e nada!Já rezei a todos os santos que conhecia e a santas também. Cansei-me de beber chás de todas as cores. Já deitei de tudo na comida do meu homem. Depois convenci-me e fui ao médico lá na cidade, que me olhou por dentro e por fora à procura das causas para o meu ventre infértil. Disse-me que ia demorar a encontrar as respostas e eu tenho pressa, quero ter os meus filhos antes dos trinta, depois serei já mulher madura.
Até que, já vai fazer um ano, uma velha quase sem dentes parou ao pé de mim com o seu cajado de nogueira e disse-me: porque não vais à ponte dos milagres?! Agarrei-a pela manga do seu vestido preto já coçado, obrigando-a a contar-me a história toda.
domingo, novembro 09, 2008
Profissão professor
quinta-feira, novembro 06, 2008
Ausências e errâncias (VIII)
Daqui a pouco ele entrará nesta igreja, os seus olhos tão negros e brilhantes, serão mais uma vez o lume que nunca esquecerei. O amor, o amor é tudo isto, o que temos e o que nunca teremos, o que nos corre na pele e o que não correu nem nunca correrá.
Eu estou feliz.
terça-feira, novembro 04, 2008
I have a dream!
Sonhei que o Obama tinha ganho as eleições nos Estados Unidos.
Sonhei mais e mais, sonhei que ele tinha desmantelado os seus lugares encapotados de guerra nos quatro cantos do mundo, e que tinha dito que de ora em diante as suas tropas só agiriam na cena internacional integradas nas forças de Paz da ONU.
Sonhei que ele não dormia a pensar nos caminhos possíveis para resolver o conflito entre Hutsis e Tutsis que cruza vários países de África e agora assola o Congo. Sonhei que ele tinha dito "I Have a Dream" e tinha explicado que esse sonho era o de um mundo realmente melhor, pelo qual evidentemente não poderia lutar sozinho, sonhei que tinha dito que de alguma forma contava connosco.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Noites com silêncio
Há em cada noite de silêncio um semanário sem leitura que sobrou do fim de semana, um livro na estante a piscar-me o olho, um monte sempre crescente de roupa para passar, pensamentos persistentes à volta de alguns medos que crescem como se fossem a sombra da crise.
Há no silêncio da noite sonhos permanentes de passeios, de viagens. Estou já perto de Sevilha e a caminho das termas de Budapeste.
Há em cada silêncio de cada noite a saudade de um lugar amado, um cheiro ou um sabor que vem de um tempo já passado. São as gambas de Benguela, o azul claro do Índico, o sol deitado no final da tarde num pedacinho da ria formosa.
Às vezes o silêncio da noite tem o nome da tua ausência e sabe à tristeza de uma boca sem beijos.
~CC~
sábado, novembro 01, 2008
sexta-feira, outubro 31, 2008
Ausências e errâncias (VII)
Várzea, Verão 2007terça-feira, outubro 28, 2008
Beleza (II)
segunda-feira, outubro 27, 2008
Ausências e errâncias (VI)
~CC~
domingo, outubro 26, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
Beleza (I)
Ausências e errâncias (V)
São poucos, é verdade, mas se repararem bem, há jovens padres. E o meu não foi para o seminário aos 10 anos, no final da escola primária, por ser muito inteligente e os pais não terem como dar continuidade aos seus estudos. O meu padre teve todas as hipóteses para escolher outro futuro, era bonito, comunicativo, tinha bons resultados em praticamente todas as matérias escolares. No entanto sempre morou nele alguma tristeza, por vezes um silêncio, outras mesmo ausência. Foi ainda jovem que começou as suas missões inserido numa organização católica e na altura ainda não afirmava esta sua vocação, era apenas a vontade de estar nos lugares do mundo onde, dizia ele, a miséria é tão grande que é difícil preservar a condição humana. Foi depois da sua missão no Libano que ele tomou a decisão de ser padre católico, veio de lá transformado, uma sombra de si próprio. Raramente fala do que viu ou viveu nestas suas missões e continua a fazê-las com regularidade, mesmo agora depois de ter assumido de vez a paróquia da Várzea. Não compreendo também porque não escolheu outro lugar, ele que tanto gosta de errância.
terça-feira, outubro 21, 2008
Ausências e errâncias (IV)
Como é que vos posso explicar este sentimento de ser maior do que eu, de ser o orgulho da terra, dos meus pais explicarem demoradamente no café da aldeia qual a natureza dos prémios que aqui e ali eu ganhava e de se fazerem brindes depois da missa "à menina Zéfinha que é de todas a melhor das nossas meninas". Eu não sou eu, sou a vingança de toda este gente que nunca saiu daqui a quase parte nenhuma, sou todas as meninas que casaram cedo e não puderam continuar os estudos, sou todos os rapazes que começaram cedo a lidar com o tractor e a podar as vinhas e não fizeram mais nada a não ser seguir o destino traçado, sou todas as velhotas que nunca aprenderam a ler. Carrego nos meus ombros toda a alegria de ter sido o seu orgulho e a imensa tristeza de não poder ter sido tudo o que eles foram e são. Não sei fazer marmelada, não sei calcular a olho nu a profundidade a que a semente deve ficar, não sei pegar numa agulha, não sei ter um bebé no colo e embalá-lo, não sei rezar.
E quando eles me abraçam e me chamam menina Zéfinha, eu não sei retribuir o afecto com o mesmo calor e creio que é isso o que me traz maior dor. Eu perdi-me deles mas eles não se perderam de mim, é como se tivessem ficado aqui à espera de todos nós que partimos, mesmo os que eram tão jovens como eu ficaram à espera.
domingo, outubro 19, 2008
O grande lago
Estrelas felizes as meninas tomando banho no grande lago. Estrelas tristes no homem do acordeão tão desfasado no restaurante neo-moderno dentro da aldeia triste, estrela de seu nome. Estrelas zangadas no teu olhar, por vezes fechado num mundo só teu, sem pontes para nós. Estrelas a brilhar no aconchego do teu abraço, em dose dupla de ternura para vencer a crónica falta de ar, desta vez derrotada em toda a linha. Faz-me feliz derrotá-la.
Ausências e errâncias(III)
sexta-feira, outubro 17, 2008
Sobre a história "ausências e errâncias"...
Era a minha Candosa, no mesmo dia escrita pelos meus dedos e objecto público de notícia. Há coincidências, tentei concentrar-me nisso, nas enormes coincidências, afinal só se podia mesmo tratar disso. Ou então, a senhora da Candosa, sempre pronta a pregar partidas, como em tempos fazia com os mouros que queriam inundar a aldeia.
~CC~
Ausências e errâncias (II)
- Vim para aqui muitas vezes, crente de que ela me apareceria.
- A senhora da Candosa?
- Sim, achava-me merecedor dessa aparição, era um miúdo arrogante.
- Pois eu toda a vida pensei que conseguiria explicar cientificamente o fenómeno destas pedras grandes que a seguir a esta passagem se encontram pelo rio, que conseguiria saber a data precisa em que a várzea foi um lago e a razão da cintiliação que todos diziam ver nas pedras ao cair da noite.
- Estão as nossas vidas explicadas, eu segui a profissão religiosa e tu és uma brilhante cientista.
- É verdade, o que uma lenda a atravessar as nossas infâncias e adolescências pode fazer-nos.
- O que temos nós em comum então?
- Vou dizer-te: "O desfiladeiro passa de leste para oeste, e pode ver-se o pôr do sol através dele(...) antigamente acreditava-se que as almas dos mortos viajavam sempre para oeste em direcção ao pôr do sol"(1). Talvez seja isto que une as nossas vidas.
~CC~
(1) in http://www.goisproperty.com/portugues/regiao%20de%20Gois/A_lenda_da_Candosa.html
quarta-feira, outubro 15, 2008
Ausências e errâncias(I)
terça-feira, outubro 14, 2008
Saudade
segunda-feira, outubro 13, 2008
Desnorte
domingo, outubro 12, 2008
Aniversários
E apesar de há uns anos atrás ter aberto muito os olhos para entender o que um amigo me dizia quando referia que depois dos trinta já não se fazem amigos, lembro hoje as palavras de um dos meus amigos mais recentes, em resposta ao abraço carinhoso que lhe enviei.
"O bom dos aniversários, para além do acréscimo de tempo nos ajudar a ter mais «sabedoria» para ver o que é mais importante, é o ar que respiramos ficar mais denso de amizade e isso é uma sensação muito forte, tão forte como a do homem do leme, de Fernando Pessoa, que mesmo nas situações mais difíceis nos faz sempre avançar e renascer."
Nem mais, JH!
quinta-feira, outubro 09, 2008
Os dias do Verão no Sul que era Norte
Todas as suas marcas de nobreza comprada marcavam um território de elite, onde os pobres seriam sempre os outros e os empregados seriam sempre isso, como se não pudessem ser pessoas. E ao mesmo tempo quanta coragem, quanta luta, quanta ousadia. Uma mulher que deu nome a uma casta de vinho fintando burocracias e biologias várias, não é uma mulher qualquer. Falaria de Maria Laura, de como é nascer mulher abastada no Portugal interior, de como se trocam e invertem papéis colados a nós à nascença, falaria de como é ser forte e de uma fraqueza e tristeza imensa. Falaria da sua solidão entre a folhagem das vinhas, das peras, das amoras.
terça-feira, outubro 07, 2008
Dia(s) II
Fiquei a pensar.
~CC~
Dia(s)
Hoje é dia mundial do beijo, dia mundial é um pouco menos do que universal, mas está muito perto de viajar pelo universo e é certo que pelo menos à lua chega. Mas é um dia mundial diferente dos outros porque varia na proporção exacta dos dias do calendário em que, para cada um de nós, um beijo alterou as nossas vidas. Eu tenho este que não esqueço e espero que perdure na memória dos tempos, assim riscado dentro de um Outono, antes e depois de um passeio de bicicleta. É pelos beijos que começamos a nascer.segunda-feira, outubro 06, 2008
Homens e bichos (XIII)
quinta-feira, outubro 02, 2008
Homens e bichos (XII)
R- Não me chames meu amor
P - A tua namorada não te chamava assim?
R- Não, nunca...isso é um bocadinho piroso.
P - Piroso, o quer dizer piroso?
R- Sei lá eu explicar-te...é uma coisa sentimental de mais.
P - E queres ser o meu amor?
R- Mas como é que isso pode ser se eu sou um homem e tu uma pomba.
P - Tu podes transformar-te, eu não.
R- Queres dizer que me posso tornar numa ave?!
P - Sim, podes. Se quiseres podemos voar por todo este azul, é tao bom...se soubesses como é bom!
R - E como é que eu posso me posso transformar?
P - Por uma dor intensa ou um profundo desejo.
R - Estou cansado da minha vida, profundamente cansado.
P - Anda, transforma-te!
~CC~
terça-feira, setembro 30, 2008
Homens e bichos (XI)
segunda-feira, setembro 29, 2008
Quando os adultos jogam ao monopólio...
Perguntamos pelo futuro, agora que no fim do jogo do monopólio, não podemos ir lanchar como acontecia quando éramos crianças. E não há ninguém na política a construir outro futuro, a rasgar no seu discurso novos horizontes para a economia global. O que me assusta não é a crise, é não haver dentro dela esperança para um outro modelo de mundo.
sexta-feira, setembro 26, 2008
luta
quinta-feira, setembro 25, 2008
Homens e bichos (X)
João: Andas a ver filmes estranhos.
quarta-feira, setembro 24, 2008
Praxes
terça-feira, setembro 23, 2008
Homens e bichos (IX)
segunda-feira, setembro 22, 2008
Equinócio
sexta-feira, setembro 19, 2008
Homens e bichos (VIII)
De resto escavo desde criança, ando sempre à procura de alguma coisa e qualquer resto de loiça com mais de 2000 anos já me faz feliz. Dou-me bem com o que resta dos homens, melhor com as suas memórias do que com a sua presença. Digo-te mais, Almourol é capaz de ser um dos únicos castelos virgens que nos resta. Está livre de cafés, de lojinhas de imitações de objectos antigos, das pousadas de portugal e animações de todo o genéro. Aqui minha querida, não se dança nem se canta, não se come nem se dorme, aqui só há a pedra e o rio. De vez em quando chegam umas quantas pessoas, mas poucas e só mesmo no Verão. O barqueiro tira-lhes uma fotografia com o castelo por trás e já ficam felizes, de resto nunca demoram mais de meia hora, isto é uma ilhota perdida no meio do Tejo, onde só os mais loucos se poderiam lembrar de fazer um castelo.
Eu estou bem aqui, não tenho saudades de quase nada, às vezes lembro-me da Maria, mas já estamos juntos há tantos anos que mesmo sem estar com ela, é como se estivesse. Para mim, isto seria o Paraíso, não fora a pomba branca. Já estive em algumas escavações, mesmo antes de acabar o curso e obviamente que as pedras velhas estão cheias de histórias e lendas, sei isso muito bem. Mas nunca, nunca alguma vez, nem nos meus piores pesadelos, me imaginei a falar com uma moura disfarçada de pomba branca. Se me contassem, eu também não acreditaria, por isso compreendo-vos, mas ela existe, posso assegurar-vos.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Queridinha...
Antes do sector manicure pedicure e outras torturas mais ser tomado por aquelas jovens e lindas brasileiras, raramente eu ia lá ou a outro sítio qualquer. Agora sim, vale a pena. No final ela vai buscar o creme e faz uma massagem pelo rosto, e embora isso nada acrescente a ter mais ou menos pelos, adormece-me para o resto do dia, arrasta-me num torpor de país de sol. Mas há mais, ela pergunta-me: unha meu bem, vamos tratar dessas suas unhas? Eu ai reajo com alguma impaciência pois de repente tudo me parece hipocrisia pura e eu não sou queridinha coisa nenhuma. Penso: mas será que apesar de estar aqui deitada há quase meia hora nesta marquesa de beleza, ela não viu as minhas unhas roídas?
terça-feira, setembro 16, 2008
Homens e bichos (VII)
Um dia acenei-lhe e sorri e ele correspondeu com um aceno, mas sempre sério. No dia seguinte tive coragem e perguntei-lhe porque é que depois da escola ia sempre para ali. Disse-me: ando à procura de um tesouro! Quantos rapazinhos conheces que aos oito anos gastem o que resta das suas tardes à procura de tesouros? No dia a seguir eu também já era uma caçadora de arcas de oiro, sonhava encontrar os colares e os brincos de pelo menos uma dúzia de princesas.
Quando penso nisso hoje...como é que se procuram tesouros debaixo das pedras de um moinho? Nunca mais nos separámos, só ele é que me chama Maria, mais ninguém, é o que o meu nome é Mariana, mas ele disse-me logo que esse não era um nome real, por isso aqui me tens, feita rainha do nada. Desde que ele arranjou emprego nesta escavação que o meu vazio aumentou na proporção da loucura dele.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Ler(vos)
Com a Claúdia, chega um outro azul, uma brisa da tarde a correr intensa por dentro.
http://bluemolleskin.blogspot.com/
(sei que vive algures, imagino-a no campo, junto a um rio)
Com o JRMarto, a poesia habita cada coisa simples para a transformar numa outra, numa outra em que a sua luz se inscreve.
http://vaandando.blogspot.com/
(conheci-o sentado a uma mesa na cidade onde moro, sei que Lisboa é por ora a sua cidade, veio por mãos amigas)
Com a Clorinda, chegam palavras e imagens que colecciona com habilidade e gosto, um caderno para aumentar o nosso reportório e enriquecer o quotidiano.
http://clo-carpediem.blogspot.com/
(sei que nasceu em Trás os Montes e que vive no Porto, sei que virá um dia para um café)
Com a Girafa cor de rosa chega a frescura de quem faz da esperança um modo de ser
http://xm-girafadepatins.blogspot.com/
(não sei onde nasceu, sei que mudou do Norte para o Sul e que agora está perto, sei que um dia aparecerá por aqui ou eu por lá).
Com o Eurico, chegam ecos de romances que já li e de lugares onde estive ou quero estar. Os seus saberes múltiplos espelham-se em imagens, em música, infiltram-se na sua poesia.
http://cantodosul.blogspot.com/
( sei que vive no sul, vi-o pelo menos uma vez, na casa que fica junto à ria formosa, é amigo dos meus amigos e família do sul).
Com a Deep chegam ecos de quem ama a vida no seu quotidiano a norte e escreve em caderno com giz de terra e com música
http://amaroinfinito.blogspot.com/
(sei que vive no Norte e só podia ter vindo através de afinidades T-O-M).
Este Verão, na minha estante dos privados, chegaram duas meninas grandes, juntando o amor à admiração pelo modo como se dizem gente.
http://minhasmaravilhas.blogspot.com/
http://pinosetokiohotel.blogspot.com/
Um prazer viver na vossa companhia.
~CC~
domingo, setembro 14, 2008
A escola
quinta-feira, setembro 11, 2008
Homens e bichos (VI)
J - Claro tio, e elas também falam.
R - Então porque é que eu não oiço o que elas te dizem?
J - Porque é só para mim que falam, tu não podes ouvir.
R - Vou contar-te uma história, uma lenda
J - Conta, conta, tu nunca me contas histórias!
(Depois de contar a lenda do Arripiado a Joana, coisa que ela ouviu de olhos bem arregalados)
R - Sei que acreditas que esta pomba fala como as tuas bonecas, mas agora diz-me...ela já não devia ter morrido há muito?
J - Mas ela não pode morrer enquanto não encontrar de novo o seu amor, só aí é que ela vai descansar para sempre
R - Mas ela diz que não pode voltar a ser mulher, a ser moura
J - Tem que haver uma solução, ela vai encontrar, vais ver. As mouras sabem muita coisa, eu acho que elas ainda sabem mais que as princesas vulgares.
~CC~
domingo, setembro 07, 2008
Diálogos com os santos
Homens e bichos (V)
sábado, setembro 06, 2008
Homens e bichos (IV)
R - Bonito, eu? Nunca ninguém me disse tal coisa.
P - Tens uns olhos com muita luz, mas não sabes.
R - E como é que são uns olhos com luz?
P - Olhos que podem voar.
R - Tens uma conversa estranha para uma pomba.
P - Mas eu sou uma mulher!
R - E quando é que deixas de morar no corpo de um bicho? Não me digas que é quando te apaixonares...
P - Não, nunca mais poderei voltar a ter corpo e rosto de mulher.
R - Então nunca nos poderemos encontrar, se é assim porque vens aqui falar comigo, porque é que me tentas encantar...ou mesmo enlouquecer.
R - Vai-te embora, vai de uma vez, não venhas mais aqui falar comigo.
P - É mesmo o que queres? Então vou.
R- Não, não vás ainda...preciso de descobrir qual é o teu mistério.
sexta-feira, setembro 05, 2008
Homens e bichos (III)
R- Estás a ver ali do outro lado do rio? É ali o Arrepiado, a aldeia da lenda de que te falo.
M - Parece-me muito bonita, já lá foste?
R - Fui ao cemitério ver se lá estava a campa do cristão que Ari amava, mas não vi nada.
M - Já a devem ter tirado, já foi há muito tempo, mas toda a gente conhece lendas de mouras encantadas, a tua pomba é só uma delas.
R - Maria, mas como disseste é uma lenda, por isso não faz sentido o que me está a acontecer.
M - Talvez ela tenha reconhecido em ti o seu grande amor, o rapaz cristão de quem o pai a separou para a encerrar ali na torre.
R - Queres ajudar-me ou pelo contrário, queres enlouquecer-me ainda mais?!
M - Enlouquecer-te claro, há lá coisa mais bonita que enlouquecer um homem. Mas acho que a pomba está a tratar disso por mim.
~CC~
quinta-feira, setembro 04, 2008
Homens e bichos (II)
R-Há quanto tempo anda aqui a trazer pessoas para o castelo?
B - Olhe, comecei tinha só 12 anos, quando acabei a primária, vim ajudar o meu tio. Mas nessa altura havia muito mais gente, agora o movimento é pouco, mesmo no Verão.
R - Por isso é que tem esses patrocínios?
B- Ó amigo, é o que me vale. Mas o barco é da autarquia.
R - Não percebo isso lá muito bem, mas estou interessado num outro assunto.
B - Então diga lá qual, estamos aqui é para os clientes! Quer uma foto?! Há ali um lugar muito bom para as tirar, quando o barco dá a volta e as pessoas ficam enquadradas pelo castelo.
R - Deixe lá isso da foto, eu ando aqui é em trabalho. Você já ouviu falar na pomba, numa lenda de uma moura?
B - Mas é claro, todos a conhecemos.
R - Mas conhece a lenda ou a pomba?
B - Homem, então não são a mesma coisa? É a lenda da moura-pomba.
R - Sim, mas já viu a pomba? Já falou com ela?
B - Ver já vi que anda sempre aí, e é única, não há mais nenhuma, mas comigo nunca falou. Oiça lá, você nunca usa chapéu?
~CC~
quarta-feira, setembro 03, 2008
Homens e bichos (I)
P- Rapaz, porque me olhas tão intensamente?
R- Porque estás aí parada há muito tempo a olhar para mim
P- Porque mexes no que não deves, essas pedras não são para tirar daí.
R- E porquê?
P- Porque debaixo delas está há séculos escondido o meu diário.
R- O diário de uma pomba?!
P- Disseste mal, é o diário de uma moura, de nome Ari.
R- Mas tu és uma pomba, a pomba mais branca que já vi e com os olhos mais pretos.
P - Pareço uma pomba mas sou uma moura, sou desse tempo.
R- Qual tempo?
P- O tempo em que as pessoas se podiam transformar em animais e vice versa.
R - Mas esse tempo nunca existiu e se existiu porque é que acabou?
P - Existiu sim, mas acabou. Os homens viviam perto da natureza, em comunhão íntima, por isso podiam transformar-se, não eram reinos diferentes, como são hoje.
R- E como se conseguiam transformar?!
P- Por um sentimento, uma emoção ou um desejo intenso.
R- Só assim?!
P - Sim
R - Isso é impossível, não é verdade.
P - Mas então porque é que estás a falar com uma pomba? Isso é impossível.
terça-feira, setembro 02, 2008
Coisas pequenas
segunda-feira, setembro 01, 2008
Despedida
~CC~




