Escrevo-os no plural porque desde Agosto até Outubro não fazemos em família outra coisa que não apagar velas ao velho estilo tradicional, por vezes com umas pinceladas de alguma inovação e uma pitada da loucura, essa coisa boa que mora no nosso sangue. E há muitos amigos também nesta linha que cruza as duas estações do ano mais belas em cheiros, em cores, em chama e em melancolia, esta linha Verão-Outono.
Começa com a mais nova das manas, uma centelha de persistência, sempre a puxar pelo riso e a lutar contra os desesperos vários que teimam em cruzar-lhe a vida. E depois a mãe, já pelo final de Agosto. Este ano os seus oitenta mostraram-na em toda a sua juventude e beleza. Há também amigas pelo final de Agosto, algumas a que enviamos flores.
Depois em Setembro chegam os homens, estes sem dúvida mais distantes, mas há entre nós mapas traçados com estradas menos óbvias. E depois, já no final de Setembro, três de nós, são raparigas que gostam de palavras, têm lágrima fácil, são motivadas para convívios com as fadas e acreditam que as estrelas são todas gente boa que já morreu. Estão na transição entre o realismo que as sustenta e a magia branca que lhes dá asas. As amigas de final de Setembro são também assim.
Em Outubro chega o aniversário da mana mais velha e com ela inauguramos um planeta do cosmos onde o Outono já mora, por isso apesar desta estação trazer lá dentro o frio, são as cores quentes que ela procura sempre. Com ela aprendemos que as festas nunca nos devem envergonhar, muito pelo contrário. E há duas pessoas que me puxam pela ternura até o coração derreter, uma menina Celeste e um menino Ruca, tal qual duas personagens de banda desenhada que desceram dos quadradinhos para me trazer sorrisos.
E apesar de há uns anos atrás ter aberto muito os olhos para entender o que um amigo me dizia quando referia que depois dos trinta já não se fazem amigos, lembro hoje as palavras de um dos meus amigos mais recentes, em resposta ao abraço carinhoso que lhe enviei.
"O bom dos aniversários, para além do acréscimo de tempo nos ajudar a ter mais «sabedoria» para ver o que é mais importante, é o ar que respiramos ficar mais denso de amizade e isso é uma sensação muito forte, tão forte como a do homem do leme, de Fernando Pessoa, que mesmo nas situações mais difíceis nos faz sempre avançar e renascer."
Nem mais, JH!
~CC~